domingo, 28 de julho de 2013

Start Again - Gabrielle Aplin


The surface is cracking
The lines on my face
Show the curse that I'm lacking here
And the beauty that I'll raise.

Home the stress a word
Without a time or place
I'm fallin' in and out of flood
With the loneliness I've trace.

Chorus:
And I can't wait to start again.
No I can't wait to start again.
When the darkness and unknown become friends
No I can't wait to start again.

The voice without the whispers
With answers I can't fight
I make promises to the wounded love in the corner of your mind.
When the night before has left you
And the smoke just filled your loss
When you don't know what you're coming for
The person you've become

Chorus:
And I can't wait to start again.
No I can't wait to start again.
When the darkness and unknown become friends
No I can't wait to start again.

Oh and the agonies turning into frog
Oh, nothing it is what I thought it was
And the agonies turning into frog
Oh, and nothing is what I thought it was.

Chorus:
And I can't wait to start again.
No I can't wait to start again.
When the darkness and unknown become friends
No I can't wait to start again.

sábado, 27 de julho de 2013

FILME: Lolita - Adrian Lyne



Se a adaptação de Stanley Kubrick, da polêmica obra literária de Nabakov, causou escandalo, o mesmo aconteceu com o filme de Adrian Lyne. A história de um professor irremediavelmente apaixonado e obcecado por uma adolescente, foi demasiado para as consciencias puritanas das audiencias norte-americanas em plenos anos 90. Resultado: um fracasso nas bilheteiras (algo raro em Lyne, senhor de sucessos estrondosos, como 9 ½ Weeks, Fatal Atraction ou Indecent Proposal). As acusações da altura, foi de que estávamos na presença de um filme imoral, mas Lolita é precisamente o contrário. Senão como explicar a destruição final dos principais personagens. Seja Humbert e a falencia do seu amor, levando-o à loucura e ao homicidio. Seja Lolita tornando-se uma mulher banal e mundana, deixando morrer aquilo que a tornava especial.

Lyne opta por um tom muito mais sóbrio, que a abordagem de Kubrick. Enquanto o filme de 62 apostava no humor negro e na sátira, esta nova adaptação, caminha em terrenos da obsessão, drama e tragédia. Alem do mais, creio que os contornos e complexidades, de uma relação condenada à partida, são muito melhor explorados nesta película. Para isso, contribuiu enormemente a personagem torturada e dividida de Jeremy Irons, num dos seus grandes papéis, assim como o seu objeto de desejo, uma Dominic Swain, que transmite toda a tentação, inocencia e manipulação de forma tórrida e por vezes comovente. De destacar também a presença de Frank Langella no papel do monstruoso pedófilo Quilty, que nas poucas cenas em que aparece, transmite uma aura maléfica e perturbante. Ao pé de Quilty, Humbert parece um inocente, tal o nível de perversão deste personagem.

Trata-se de um filme complexo e com várias camadas de leitura. Injustamente confundido como uma obra exploratória, Lolita é no fundo um retrato da obsessão e de amor perdido. 


Sinopse

Em 1947, um professor de meia-idade (Jeremy Irons) de origem inglesa vai lecionar literatura francesa em uma pequena cidade da Nova Inglaterra e aluga um quarto na casa de uma viúva (Melanie Griffith), mas só realmente decide ficar quando vê a filha (Dominique Swain) dela, uma adolescente de doze anos por quem fica totalmente atraído. Apesar de não suportar a mãe da jovem se casa com ela, apenas para ficar mais próximo do objeto de sua paixão, pois a atração que ele sente pela enteada é algo devastador. A jovem, por sua vez, mostra ser bastante madura para a sua idade. Enquanto ela está em um acampamento de férias, sua mãe morre atropelada. Sem empecilhos, seu padrasto viaja com sua enteada e diz a todos que é sua filha, mas na privacidade ela se comporta como amante. Porém, ela tem outros planos, que irão gerar trágicos fatos.







sexta-feira, 26 de julho de 2013

FILME: Lolita - Kubrick



Certas histórias nunca deixarão de ser polêmicas, não importa quanto tempo tenha se passado, e uma das mais populares é a paixão avassaladora e obsessiva de um homem de meia idade pela jovem de 14 anos carinhosamente apelidada de Lolita. Encarando tabus e dialogando com a pedofilia, o escritor Vladimir Nabokov, também responsável pelo roteiro da adaptação, eternizou a ninfeta mais famosa da literatura e o diretor Stanley Kubrick deu-lhe rosto e vida nesta atrevida obra-prima. A história acompanha o pacato professor de inglês Humbert que se aloja, durante o verão norte-americano, na pensão de Charlotte Haze e se apaixona por sua filha, Dolores. Ciente da imoralidade do seu sentimento, melhor mantido platonicamente, Humbert cede aos escancarados flertes da anfitriã e se casa com ela, e assim pode permanecer próximo de Lolita (agora sua enteada). 

Sem precisar ser explícito para chocar, Kubrick pauta a narrativa na sutileza e apenas sugere a conjunção sexual pontualmente, como no instante em que Lolita se recorda do passado ao rever Humbert. Sendo esta decisão mais incômoda e ambígua, o espectador vê-se obrigado a decifrar o que está escondido debaixo do véu de importantes passagens da narrativa, e a declaração de amor durante o intimista pintar de unhas deixa em aberto se Lolita estava sendo paternalmente doce ou belicosamente instigante. E mesmo quem opte pela segunda explicação, como eu, é impossível não condenar Humbert cujo discernimento deveria ser o bastante para refrear seu ímpeto sexual (no livro, a garota tem apenas 12 anos, o que torna mais grave o pecado de seu padrasto), e para afastar qualquer pensamento libidinoso bastaria uma manhã encarando a decoração infantil do quarto de Lolita, os recortes de estrelas colados na parede e um ursinho de pelúcia convenientemente repousando ao lado da cama. 


Porém, Lolita não é nenhum anjo, mas hábil em manipular os homens apreciando ser um delicado objeto de desejo, desfrutando genuinamente dos mimos recebidos. Kubrick também incita seus demais personagens a usar máscaras: Humbert esconde o ciúme quando insinua que Charlotte está sendo liberal demais com a filha ao permitir que esta passe a noite fora de casa com “outros garotos”; e da mesma forma, ele finge o luto após um trágico acidente. Para ele, é natural manter os sentimentos inapropriados presos na formalidade e sisudez britânicas, o que acaba tornando as explosões emocionais no terceiro ato em momentos marcantes por comparação. O que dizer então de Clare Quilty e as diversas máscaras empregados por Peter Sellers em uma atuação maliciosa, excêntrica e, porque não, grotesca? Contudo, entre esses personagens dúbios, quem mais sofre é Charlotte por abraçar incondicionalmente a sinceridade dos seus patéticos sentimentos, o que acaba por lhe condenar em uma narrativa que parece premiar a dissimulação.

Ainda assim, Kubrick acrescenta brechas onde se espreita a real personalidade dos personagens. Logo no primeiro encontro com Lolita, na antológica cena em que a moça está deitada bronzeando-se no jardim, Humbert mal contém a insegurança no olhar enquanto explora inquietamente a extensão do quadro, talvez envergonhado de demonstrar que sucumbiu a tentação. Em outro momento, Humbert tatearia novamente a insegurança durante o confronto com um falso psicólogo, e o movimento de suas mãos se torna mais arredio na medida em que o nome de Lolita seja ventilado mais frequentemente na conversa. Além disso, o tratamento discreto por “pai” na frente dos amigos parece ter um peso indizível nas costas de Humbert, e a boa atuação de James Mason deixa claro a insatisfação do professor, mesmo que ele não possa demonstrá-la.

Meticulosamente planejado, com longas sequências impulsionadas pela força dos diálogos e a mise-en-scène, a sequência transcorrida na cama impressiona por transmitir múltiplos significativos com apenas um simples movimento: na cena, Humbert está seduzindo Charlotte enquanto fantasia com o porta-retrato de Lolita na cabeceira da cama, não obstante, no ponto de fuga; não tarda, porém, para que a sugestão de enviar a garota para estudar fora obrigue Humbert a rolar para o outro lado da cama e encarar uma pistola sobre a cabeceira oposta, retrato do destino trágico que lhe espera. Kubrick também é hábil ao torturar o espectador, e quando acompanhamos pausadamente uma máquina de escrever imprimindo revelações em uma carta, conseguimos compartilhar a mesma dor que Humbert sentirá ao lê-la.

Pecando na estrutura narrativa que apresenta Humbert já no fundo do poço assassinando Quilty na sua mansão para, só então, retroceder quatro anos no tempo e expor o que levou aquele homem a cometer crime tão hediondo, Kubrick acaba condenado antecipadamente o seu protagonista antes de expor os seus (imperdoáveis) pecados, uma atitude covarde que pareceu mais uma desculpa para satisfazer os ânimos exaltados dos censores à época.








FILME: An Education (Educação)



Educação tem sido elogiado pela crítica especializada e conseguiu obter três indicações ao Oscar: melhor filme, melhor atriz (Carey Mulligan) e melhor roteiro adaptado (Nick Hornby, que escreveu os livros que serviram de base para About a Boy, Fever Pitch e High Fidelity). 

Carey Mulligan vive a jovem inglesa de 16 anos Jenny, forçada pelo pai (Alfred Molina) a estudar para passar para Oxford em plena Inglaterra de 1961. No entanto, ela acaba esbarrando em David (Peter Sarsgaard), um homem mais velho, com quem acaba se relacionando. Sem estragar o filme, fica claro, desde o começo, para o espectador, que David não é exatamente aquilo que parece ser. A relação dos dois vai se intensificando e a menina se torna mulher, pulando etapas muito rapidamente. O sonho de Oxford logo dá lugar a visões românticas da vida e o gosto pela experimentação e aventura se apodera de Jenny.

O filme tem claramente a inteligência pop de Nick Hornby, que soube transpor seus diálogos para a Inglaterra da década de 60. Nesse ponto, os primeiros 30 minutos de filme, com referências às músicas francesas e cultura beatnik, conseguem ser brilhantes, com segura direção da dinamarquesa Lone Scherfig. Os pontos altos, porém, são as atuações de Skarsgaard, misterioso, contido mas legitimamente apaixonado e de Molina, severo, rude, preconceituoso mas verdadeiramente amoroso. Os dois seguram o filme de maneira primorosa, mesmo quando a vida pregressa de David começa a ser descortinada, como é esperado desde o primeiro segundo em que o vemos.