sábado, 25 de maio de 2013

FILME: Tiger Eyes


Tiger Eyes é um livro escrito originalmente por Judy Blume em 1981, sobre uma menina de 15 anos chamada Davey Wexler, que junto de sua mãe, Gwen, e de seu irmão mais novo, Jason, tenta lidar com o assassinato de seu pai e com as mudanças em sua vida. Com esperanças de começar uma vida nova, os três se mudam para o Novo México, onde Davey conhece um mistérioso garoto.
Olhos de Tigre lida fundamentalmente com questões de perda, luto, mudança, e a força dos laços familiares. A história é narrada do ponto de vista de Davey, sendo oferecida uma alta perspectiva das lutas e mudanças que os Wexler sofrem. É muito recomendando nas escolas americanas como uma excelente leitura para alunos do ensino médio que estão lidando ou que já sofreram alguma intensa mudança ou perda pessoal.
Tiger Eyes é um romance que segue a luta da família Wexler para encontrar a normalidade após o assassinato brutal repentino do pai e marido Adam Wexler. O romance, narrado pela jovem de 15 anos Davey Wexler, detalha os desafios emocionais e físicos destes membros da família. É uma história emocional que retrata a importância e a força dos laços familiares, especialmente durante períodos de provação e tribulação.
Esse romance tem começa no início do funeral do pai de Davey. Adam, o pai de Davey, tinha sido um homem de posses modestas. Ele era dono de uma pequena mercearia com um apartamento em cima em que ele, sua esposa e dois filhos moravam. Na mente de Davey, seu pai era um artista brilhante, que sonhava em um dia abrir sua própria galeria. Este sonho foi interrompido, no entanto, quando Adam foi morto a tiros durante um assalto a sua loja.
Davey e seu pai eram muito apegados, mas esta não é a única razão pela qual ela luta com sua morte repentina. Davey estava na loja na noite do assassinato. Ela tinha saído escondido com seu namorado, Hugh, e estava no quintal, quando ouviu os tiros. Eles correram para a loja e encontraram Adam sangrando muito e pedindo ajuda. Apesar de seus esforços, o pai de Davey morreu antes mesmo de chegar ao hospital. Embora ela estivesse lá na noite que o pai morreu, Davey recusa-se a revelar este segredo para sua família.
Depois do funeral, cada membro da família tenta encontrar um meio de lidar com sua dor. Jason, o irmão mais novo de Davey, começa a usar uma capa de Drácula. A mãe de Davey, Gwen Wexler, se esforça para ser uma boa mãe e a base de sua família, mas sente-se sem forças, caindo aos pedaços. Em sua dor, Davey tenta fechar-se para o mundo. Ela fica na cama por vários dias, recusando-se a comer ou tomar banho. Ela começa a viver em um estado perpétuo de medo. Davey também passa a dormir com uma faca de pão para proteger a si mesma e as pessoas que ama de outro possível ataque. Quando ela voltar a frequentar o colégio poucas semanas depois, tem dificuldade nas matérias e torna-se propensa a ataques de ansiedade que causam até mesmo, perda de consciência. Eventualmente, a mãe de Davey vê que não são apenas os filhos que têm dificuldade em lidar com a perda de seu pai, mas que ela mesma não está conseguindo segurar-se. Então, para tentar reverter a situação e criar uma mudança muito necessária de ritmo, Gwen arranja um novo local para eles ficarem. Trata-se da casa de sua irmã e seu cunhado, em Los Alamos, Novo México.
A tia de Davey, Bitsy e tio Walter não têm filhos e ficam incrivelmente animados em ter Davey e Jason morando com eles. Eles matriculam os filhos de Gwen na escola, e começam a ajudá-los a refazer as suas vidas de volta. Bitsy e Walter tentam criar um ambiente especialmente saudável de uma vida estável para as crianças. Eles encorajam Davey a fazer novos amigos na escola e fazer atividades ao ar livre, como andar de bicicleta. Jason e Bitsy desenvolvem um vínculo estreito de amor compartilhado. Enquanto Bitsy e Walter se aproximam das crianças, Gwen se torna mais reclusa e distante. Isso irrita Davey porque ela sente que sua mãe está deixando a tia e o tio virarem os donos da família. O que ela não entende é que sua mãe está passando por um luto intenso e uma difícil fase depressiva.
Embora esta visita a Los Alamos fosse algo temporário acabou virando algo mais permanente. Gwen, em seu estado frágil, tornou-se dependente de Walter e Bitsy e não podia enfrentar o fato de voltar para sua casa em Atlanta. Ao explorar sua nova cidade, Davey conhece um rapaz misterioso que se chama Wolf. Os dois se conheceram por coincidência, enquanto Davey estava caminhando no desfiladeiro perto da casa de seus tios. Com o tempo, os dois estabelecem uma gradual amizade, mas que ao mesmo tempo é secreta. Davey não sabe a verdadeira identidade de Wolf e ele a conhece apenas pelo nome que ela lhe deu, "Tigre". Apesar de sua relutância em divulgar suas verdadeiras identidades, os dois encontraram consolo e conforto um no outro. Pela primeira vez Davey é capaz de se abrir sobre a morte de seu pai. Wolf também compartilha segredos sobre suas próprias lutas de vida.
Enquanto que no início seu único amigo em Los Alamos era Wolf, Davey rapidamente se torna amiga de Jane, uma aluna do colegial que se esforça para lutar contra suas tendências alcoólicas e as pressões dos pais, que a querem de forma perfeita. É através de sua amizade e o trabalho voluntário com Jane que Davey descobre a a verdadeira identidade de Wolf. O pai dele é um paciente no hospital onde Davey é voluntária e ao longo do tempo os dois se tornam amigos. O pai de Wolf é um paciente com câncer terminal e tanto Davey quanto Wolf, consolam-se uns aos outros quando ele entra na fase final de sua doença.
Após a morte de seu pai, Wolf vai embora, mas promete a Davey que ele irá voltar. Com a partida de Wolf, Davey tem que enfrentar sozinha os problemas que acontecem em sua própria vida. Sua tia e tio parecem ter assumido a família Wexler. Gwen não consegue mais ter autoridade sobre Davey, mas ela permite que Walter e Bitsy falem com ela. Além disso, Gwen começou a namorar um novo homem, depois dos incentivos de Bitsy e Walter. Jason abraçou esta nova vida e este novo sistema familiar, mas Davey recusa-se a fazer isso. Ela se rebeldia contra sua mãe e tios e ataca seu irmão.
Eventualmente, a mãe de Davey pede a ela para ver a conselheira que ela tem visto nos últimos meses em Los Alamos. Na terapia, Davey é finalmente capaz de exalar sua frustração, raiva e culpa a respeito da morte de seu pai. Ela revela o segredo que ela estava lá na noite em que ele morreu. É através de suas sessões com Miriam que Davey é capaz de chegar a um acordo parcial com a perda de seu pai e as mudanças em sua família.
Ao longo de uma noite, depois de jantarem fora sozinhas, Davey e sua mãe têm uma conversa de coração para coração sobre o futuro da família. Gwen revela sua luta pessoal e pede desculpas por sua incapacidade de consolar a filha e ser forte para seus filhos quando eles mais precisavam dela. Ela revela que não irá casar-se com seu namorado Ted, mas que está pronta para voltar a morar em Atlanta se Davey e Jason estiverem prontos. Bitsy e Walter são contra a decisão de Gwen de ir embora, porque eles se tornaram tão apegados à ideia de ter uma família própria, que Davey, Gwen e o pequeno Jason já faziam parte da movimentação e da vida daquela casa. Enquanto eles não têm ideia de como exatamente irão avançar com suas vidas, os três Wexler percebem que simplesmente precisam seguir em frente, mantendo suas vidas juntas, onde quer que eles estejam e onde quer que eles forem.








quinta-feira, 23 de maio de 2013

Vlad Ţepeş

Vlad III, O EmpaladorFoi somente quando avaliou referências durante uma pesquisa no British Museum que o romancista Bram Stoker encontrou o homem que serviria de base perfeita para seu clássico personagem de terror gótico, o Conde Drácula. Vlad Tepes, um príncipe do século 15, que vivia nas montanhas da Europa oriental foi sua inspiração. Relatos da crueldade de Vlad Tepes vêm sendo distorcidos ao longo da história e a adaptação de Stoker parece ter perpetuado esses equívocos. Do pai, Vlad orgulhosamente herdou o nome "Dracul" ("Filho do Dragão"), mas o príncipe passou a ser chamado de "Tepes" ("Empalador") baseado em seu suposto gosto de empalar suas vítimas. Tepes não era um vampiro, embora um relato histórico detalhe que ele bebia o sangue de suas vítimas. Logicamente, Tepes também não era imortal, como narrado por Stoker. Mas Stoker não se inspirou apenas no nome do príncipe. O reinado de Tepes realmente foi cruel e sangrento. Quando se investiga o sensacionalismo da história, é fácil encontrar relatos extremamente exagerados que obscurecem os fatos, como os de milhares de pessoas torturadas, mutiladas ou mortas por ele ou sob seu comando. 

Drácula e suas noivasVlad fez muitos inimigos poderosos como príncipe da Wallachia, região da Romênia, porque era defensor do cristianismo contra os turcos muçulmanos. Foram seus inimigos que divulgaram histórias terríveis sobre ele, o que inadvertidamente assegurou o lugar de Tepes na história. Os relatos dos feitos e das atrocidades cometidas por Tepes eram tão impressionantes que um desagradável poema épico sobre ele foi publicado pela máquina de impressão de Gutenberg apenas oito anos depois de o mesmo equipamento ter sido usado para imprimir a primeira Bíblia. Se os detratores não tivessem se empenhado em uma campanha contra ele através de publicações que existem até hoje, o legado de Tepes poderia ter se perdido.

Bram Stoker foi além dessa “história simplória” e desenvolveu em torno dela a lenda do mais celebrado e temido morto-vivo de todos os tempos. A história não é contada por um único narrador. Stoker resolveu publicar sua lenda em forma de diários, onde cada personagem conta uma parte da história pelo seu ponto de vista.


Antigos reis de Valáquia:


O trono de Valáquia era hereditário, mas não seguia a lei do primogênito. Os nobres tinham o direito de escolher entre os membros da família real quem seria o sucessor. A família real dos Basarab, fundada por Basarab, o Grande (1310-1352), dividiu-se por volta do final do século XIV. Os dois clãs resultantes, rivais entre si, foram formados pelos descendentes do Voivoda Dan e pelos descendentes do Voivoda Mircea cel Bătrân, também conhecido por Mircea, o Velho (avô de Vlad III).




Vlad Ţepeş:


Em 1442 Vlad tentou permanecer neutro quando os turcos invadiram a Transilvânia. Os Turcos foram vencidos e os vingativos húngaros, sob o comando de Hunyadi János forçaram Dracul e sua família a fugir da Valáquia. Hunyadi colocou um Danesti, Basarab II, no trono valaquiano. Em 1443 Vlad II retomou o trono da Valáquia com suporte dos Turcos, desde que ele assinasse um novo tratado com o Sultão que incluiria não apenas o costumeiro tributo, além de outros favores. Em 1444, para assegurar ao sultão de sua boa fé, Vlad mandou seus dois filhos mais novos para Adrianopla como reféns. Draculea permaneceu refém em Adrianopla até 1448.
 
A cruzada de Varna:
 
Em 1444 o rei da Hungria, Ladislas Poshumous, quebrou a paz e enviou o exército de Varna sob o comando de João Corvino (Hunyadi János) num esforço para manter os turcos longe da Europa. Hunyadi ordenou que Vlad II cumprisse seus deveres como membro da Ordem do Dragão e súdito da Hungria e se juntasse à cruzada contra os Turcos. O Papa absolveu Dracul do compromisso Turco, mas, como político, ainda queria alguma coisa. Ao invés de se unir às forças cristãs pessoalmente ele mandou seu filho mais velho, Mircea. Talvez ele esperasse que o sultão poupasse seus filhos mais novos se ele pessoalmente não se juntasse à cruzada. Os resultados da Cruzada de Varna são bem conhecidos. O exército cristão foi completamente destruído na Batalha de Varna. João Hunyadi conseguiu escapar da batalha sob condições que acrescentaram pouca glória à reputação dos Cavaleiros Brancos. Muitos, aparentemente incluindo Mircea e seu pai, culparam Hunyadi pela covardia. Deste momento em diante João Hunyadi foi amargamente hostil em relação a Vlad Dracul e seu filho mais velho. Em 1447 Vlad Dracul foi assassinado juntamente com seu filho Mircea. Aparentemente Mircea foi enterrado vivo pelos burgueses e mercadores de Targoviste. Hunyadi colocou seu próprio candidato, um membro do clã Danesti, no trono da Valáquia.

 

Ascensão de Vlad Ţepeş ao trono (1448):

 

Em 1448 Draculea conseguiu assumir o trono valaquiano com o apoio turco. Porém, em dois meses Hunyadi forçou Draculea a entregar o trono e fugir para seu primo, o príncipe da Moldávia, enquanto Hunyadi mais uma vez colocava Vladislav II no trono valaquiano. Draculea permaneceu em exílio na Moldavia por três anos, até que o Príncipe Bogdan da Moldávia foi assassinado em 1451. O tumulto resultante na Moldávia forçou Draculea a fugir para a Transilvânia e buscar proteção com o inimigo da sua família, Hunyadi. O tempo era ideal; o fantoche de Hunyadi no trono valaquiano, Vladislov II, instituiu uma política a favor da Turquia, e Hunyadi precisava de um homem mais confiável na Valáquia. Consequentemente, Corvino aceitou a aliança com o filho de seu velho inimigo e colocou-o como candidato da Hungria para o trono da Valáquia. Draculea se tornou súdito de Hunyadi e recebeu os antigos ducados da Transilvânia de seu pai, Faragas e Almas. Draculea permaneceu na Transilvânia, sob a proteção de Hunyadi, até 1456 esperando por uma oportunidade de retomar Valáquia de seu rival. Em 1453 o mundo cristão se chocou com a queda final da Constantinopla para os Otomanos. O Império Romano do Leste que existiu desde o tempo de Constantino, o Grande e que por mil anos protegeu o resto dos cristãos do Islã não existia mais. Hunyiadi imediatamente planejou outro ataque contra os Turcos.

 

Vlad Ţepeş retorna ao trono (1456-1462)?

 

Em 1456 Hunyadi invadiu a Sérvia turca enquanto Draculea simultaneamente invadiu a Valáquia. Na Batalha de Belgrado Hunyadi foi morto e seu exército vencido. Enquanto isso, Draculea conseguiu sucesso em matar Vladislav II e tomando o trono da Valáquia, mas a derrota de Hunyadi tornou a sua proteção por parte deste questionável. Por um tempo ao menos Draculea foi forçado a apoiar os Turcos enquanto solidificava sua posição. O reinado principal de Draculea se estendeu de 1456 a 1462. Sua capital era a cidade de Tirgoviste enquanto seu castelo foi erguido a uma certa distância nas montanhas perto do rio Arges.
A maior parte das atrocidades associadas ao nome de Draculea tomaram lugar durantes esses anos. Foi também durante esse tempo que ele lançou seu próprio ataque contra os Turcos. Seu ataque foi relativamente bem sucedido inicialmente. Suas habilidades como guerreiro e sua bem conhecida crueldade fizeram dele um inimigo temido. Entretanto, ele recebeu pouco apoio do seu senhor feudal, Matthius Corvinus, Rei da Hungria (filho de João Hunyadi) e os recursos valaquianos eram muito limitados para alcançar algum sucesso contra o conquistador da Constantinopla.

 

Vlad Tepes aprisionado (1462-1474):

 

Os Turcos finalmente foram bem sucedidos em forçar Draculea a fugir para a Transilvânia em 1462. Foi reportado que a primeira esposa de Draculea cometeu suicídio pulando das torres do castelo de Draculea para as águas do rio Arges ao invés de se render aos Turcos. Draculea fugiu pelas montanhas em direção à Transilvânia e apelou para Matthius Corvinus por ajuda. Ao invés disso, o rei prendeu Draculea e o aprisionou numa torre por 12 anos. Aparentemente seu aprisionamento não foi nem um pouco oneroso. Ele foi capaz de gradualmente ganhar as graças da monarquia húngara; tanto que ele conseguiu se casar e tornar-se um membro da família real (algumas fontes clamam que a segunda esposa de Draculea era na verdade a irmã de Matthius Corvinus). A política a favor dos Turcos do irmão de Draculea, Radu, o Belo, que foi o príncipe da Valáquia durante a maior parte do tempo que Draculea foi prisioneiro, provavelmente foi um fator importante na reabilitação de Draculea. Durante seu aprisionamento Draculea também renunciou à fé Ortodoxa e adotou o Catolicismo. É interessante notar que a narrativa russa dessas histórias, normalmente favoráveis a Draculea, indicavam que mesmo durante sua prisão Draculea não desistiu de seu passa-tempo preferido: ele costumava capturar pássaros e camundongos que ele torturava e mutilava - alguns eram decapitados, esfolados e soltos, e muitos eram empalados em pequenas lanças.


Vlad Tepes volta ao trono valaquiano, pela última vez (1476):

 

O tempo exato do tempo de captura de Draculea é aberto para debates. Os panfletos russos indicam que ele foi prisioneiro de 1462 até 1474. Entretanto, durante esse tempo Draculea se casou com um membro da família real húngara e teve dois filhos que já tinham por volta de dez anos quando ele reconquistou a Valáquia em 1476. McNally e Florescu colocaram que o período de confinação de Draculea foi de 1462 a 1466. É pouco provável que um prisioneiro poderia se casar com um membro da família real. Correspondência diplomática durante o período em questão também parece apoiar a teoria de que o período real do confinamento de Draculea foi relativamente pequeno. Aparentemente nos anos entre sua libertação em 1474 quando ele começou as preparações para a reconquista da Valáquia, Draculea viveu com sua nova esposa na capital húngara. Uma anedota daquele período conta que um capitão húngaro seguiu um ladrão dentro da casa de Draculea. Quando Draculea descobriu os intrusos ele matou o capitão ao invés do ladrão. Quando Draculea foi questionado sobre suas atitudes pelo rei ele respondeu que um cavalheiro não se apresenta a um grande governante sem as corretas introduções - se o capitão tivesse seguido a etiqueta não teria sofrido a ira do príncipe.

Em 1476 Draculea mais uma vez estava pronto para atacar. Draculea e o príncipe István Báthory invadiram a Valáquia com uma força mista de transilvanianos, alguns burgueses valaquianos insatisfeitos e um contingente de moldávios enviados pelo primo de Draculea, Príncipe Estêvão , o Grande da Moldávia. O irmão de Draculea, Radu, o Belo, havia morrido alguns anos antes e substituído por um candidato ao trono apoiado pelos Turcos, Basarab, o Velho, membro do clã Danesti. Enquanto o exército de Draculea se aproximava, Basarab e sua corte fugiram, alguns buscando proteção dos Turcos, outros para os abrigos das montanhas. Depois de colocarem Draculea de volta ao trono Stephan Bathory e as outras forças de Draculea voltaram à Transilvânia, deixando a posição tática de Draculea muito enfraquecida. Draculea teve muito pouco tempo para ganhar apoio antes de um grande exército turco invadisse a Valáquia determinado a devolver o trono a Basarab. Aparentemente mesmo os plebeus, cansados das depredações do empalador, abandonaram-no à sua própria sorte. Draculea foi forçado a lutar contra os Turcos com pequenas forças à sua disposição, algo em torno de menos de quatro mil homens.

Draculea foi morto em batalha contra os turcos perto da pequena cidade de Bucareste em dezembro de 1476. Algumas fontes indicam que ele foi assassinado por burgueses valaquianos desleais quando ele estava prestes a varrer os Turcos do campo de batalha. Outras fontes dizem que Draculea caiu vencido rodeado pelos corpos dos leais guarda-costas (as tropas cedidas pelo Príncipe István da Moldávia permaneceram com Draculea mesmo após István Báthory ter voltado à Transilvânia). Outra versão é a de que Draculea foi morto acidentalmente por um de seus próprios homens no momento da vitória. O corpo de Draculea foi decapitado pelos Turcos e sua cabeça enviada à Constantinopla, onde o Sultão a manteve em exposição em uma estaca como prova de que o Empalador estava morto. Ele foi enterrado em Snagov, uma ilha-monastério localizada perto de Bucareste. Em 1931, quando arqueólogos escavaram o túmulo, não encontraram nada, apenas ossos de animais, o que contribuiu para o mistério.


quarta-feira, 22 de maio de 2013

FILME: Now Is Good

 
 

Now is Good conta a história de Tessa Scott, uma garota de 16 anos que está diagnosticada com uma doença terminal e decide interromper as sessões de quimioterapia para realizar uma lista de desejos que inclui roubar, se drogar e ter relação sexual com alguém. Para a jovem que já está fadada à morte o que lhe resta é viver intensamente cada dia que lhe sobra.

Dirigido e roteirizado por OI Parker, o filme é uma adaptação do livro “Before I Die” (Antes de Morrer, na versão brasileira), de Jenny Downhan. A produção fica por conta da empresa britânica BBC.
 
A história não foge à regra dos dramas adolescentes atuais, porém conseguiu-se fazer o comum virar algo marcante e emocionante com personagens e diálogos/falas que chamam a atenção pela simplicidade. Com pitada de comédia em algumas cenas, Now is Good é pautado principalmente pelo drama de Tessa em buscar viver sem medidas apesar de estar tão próxima da morte. O romance entre a jovem garota e seu vizinho, Adam, também é retratado como algo que a ajuda a se sentir bem em seus últimos dias de vida.
 
Com atuações comedidas e sem exageros de gestos e falas, o filme expõe algo simples e bonito que arranca lágrimas em vários momentos. Dakota Fanning merece destaque e diversos elogios por sua atuação no filme. Ela conseguiu provar, mais uma vez, que é uma atriz versátil e de excelente qualidade. Tessa não é uma garota frágil, apesar de sua doença ela se sente como uma adolescente comum que quer viver intensamente e realizar seus desejos e por saber que sua morte está próxima, se permite a viver de uma maneira muito mais profunda. O trabalho de Fanning em Now is Good é impressionante: a caracterização da personagem (em que Dakota teve que cortar os cabelos); o olhar sempre perdido, porém firme; a naturalidade da relação de amizade com Zoey (interpretada por Kaya Scodelario); a verdade no sentimento repentino por Adam (interpretado Jeremy Irvine); a realidade que pode ser percebida nas cenas de discussão com o pai ou a mãe (interpretados respectivamente por Paddy Considine e Olivia Williams); a pureza na relação com o irmão Cal (interpretado por Edgar Canham) e além de tudo, a forma como ela se entrega à Tessa é maravilhosa, tanto que por diversas vezes basta “encontrar” seus belos olhos azuis e marejados na tela, para se emocionar.
 
O elenco escolhido por Nina Gold é excelente! Todos os atores parecem estar em extrema sintonia e quando falta algo em algum deles (se é que isso ocorre em algum momento), o companheiro de cena completa. Paddy Considine como o pai preocupado, Olivia Williams como a mãe desleixada, Jeremy Irvine como o jovem apaixonado, Kaya Scodelario como a fiel amiga e escudeira, e até Edgar Canham, o pequeno irmão que não compreende perfeitamente o que está acontecendo. Todos parecem estar interligados em tal trama a ponto de tornar tudo mais real e fiel. Uma das cenas mais interessantes do filme é o seu início, em que Tessa está correndo pela rua e tudo se transforma em uma animação, inclusive ela e sobre as cores começam a aparecer os nomes dos atores e da equipe. Tudo isso ao som de Blue Jeans, de Lana del Rey, que faz parte da trilha sonora junto com a belíssima música de Ellie Goulding, I know you care, que foi feita especialmente para o filme.
 




 
 
 


FILMES: Spring Breakers


 

"Não é nada do que possa imaginar" esta frase foi usada muitas vezes na tentativa de explicar que tipo de filme é Spring Breakers. Harmony Korine volta a fazer o que havia feito antes quando escreveu e realizou Gummo: pegou uma sub-cultura hedonista (a do “spring break”) e tornou-a num pesadelo vibrante do qual não conseguimos tirar os olhos. Há um sadismo brilhante na forma como o filme atraiu um público “mainstream” com a promessa de atrizes Disney em biquínis consumindo drogas.

Spring Breakers é, objetivamente, um excelente filme; um filme desafiante e absurdo, mas que não deve ser confundido com um exercício inócuo em excesso. Não é, igualmente, uma celebração da obscenidade que retrata. É uma condenação extrema e sarcástica de toda esta degradação, da quebra do espírito e desencantamento que resultam da bolha em que a sociedade moderna se aprisionou a si própria.
O riso faz parte de tudo isto. Mas por mais sarcasmo, por mais ironia e auto-reflexão que possa haver, tudo isto é bastante sério. É uma experiência (Korine comparou o filme a uma trip) psicologicamente atordoante, mas não é de todo um mero produto do material que aborda. Korine vai propositadamente longe demais, observa o nu feminino de forma vulgar, como num videoclip de Hip-Hop.  O filme é uma mistura enervante de humor bizarro, violência over-the-top, sexo gratuito e drama desarmadamente genuíno. 
Spring Breakers encontra transcendência no lixo, banhando-se nos mais básicos dos instintos da natureza humana e criando um retrato deslumbrante e assustador de um mundo enlouquecido e da inocência perdida. Korine aponta um espelho em direção à sociedade e o que nos é mostrado de volta é tudo aquilo que sabemos que nos rodeia, que vemos no YouTube todos os dias, mas que escolhemos ou ignorar para manter a sanidade ou consumir para nos entreter. E o grande golpe de gênio deste filme é o fato de não conseguirmos nem ignorá-lo nem evitar que nos entretenha.

Faz 18 anos desde que Harmony Korine escreveu “Kids” aos 21 anos, provando algo estrondoso nos meados dos anos 90 no cinema indie, foi controverso, decadente, e honesto. Korine fez a sua estreia como diretor com “Gummo” em 1998, e nos últimos 15 anos ele fez filmes que (com a possível exceção de “Mister Lonely”) empurraram limites estéticos e críticos mais e mais, culminando em “Trash Humpers” em 2009, um filme gravado com uma câmera de VHS, com um elenco de pessoas velhas usando máscaras, geralmente tentando provocar o público para uma caminhada. Então onde ele poderia possivelmente ir desde então?

O enredo é bastante simples. Faith (Selena Gomez), Candy (Vanessa Hudgens), Brit (Ashley Benson) e Cotty (Rachel Korine) são quatro amigas de longa data no mesmo campus da faculdade. A morena Faith é mais certinha, e nominalmente cristã, enquanto as outras têm as mais temíveis, e festeiras reputações. Elas estão planejando ir para a Flórida no Spring Break, mas o dinheiro é curto, e para adicionar fundos extras, Candy, Brit e Cotty roubam um restaurante de fast-food. O trabalho continua sem nenhum problema, e logo elas estão no sul festejando com outros garotos e garotas enlouquecidos. O sonho parece acabar, quando elas são pegas com acusações de porte de drogas pela polícia. Mas felizmente, elas chamam a atenção de um gangster local/aspirante a rapper Alien (Franco), que paga as multas, e as leva sob sua asa, tendo uma queda por Brit e Candy no processo. Mas quando ele entra em conflito com outro traficante, seu ex-melhor amigo Archie (rapper Gucci Mane), qual das meninas vai ficar de fora das férias de primavera ao seu lado, e qual vai voltar para a faculdade – ou pior?

O diretor está trabalhando com um estilo totalmente novo aqui, e graças a DoP Benoit Debie, o filme parece legitimamente fantástico – um colorido, estético neon-iluminado noturno altamente reminiscente de imagem deste verão da Flórida. Há também algumas filmagens deslumbrantes, incluindo imagens filmadas de cima verdadeiramente inspiradoras de uma festa na piscina com o que se parece com milhares de figurantes, e uma perseguição brilhantemente coreografada da cena do roubo vista através da janela do carro de fuga. Também é diferente, porque, se é arte, e provavelmente é, é firmemente uma obra de arte pop. A trilha sonora (quando não impulsionada pelo placar de Cliff Martinez e Skillrex) é de pop ou hip hop, com Nicki Minaj, Goulding Ellie, The Weeknd, e Waka Flocka Flame, todos fazendo aparições, juntamente com um assalto de montagem que marcou, de forma brilhante, Britney Spears.

Certamente o apelo das estrelas jovem no elenco deve ser potente, e elas realmente absolveram extremamente bem os personagens, com exceção de Rachel Korine, que nunca se sente confortável na tela. Gomez tem o melhor papel definido, mas provavelmente menos tempo de tela, enquanto Hudgens e Benson são carismáticas, mas essencialmente unidas no filme. Mas, realmente, é o filme de Franco. Ele não aparece em nenhuma cena até quase o meio, mas o seu Flórida Fagin é extremamente divertido.
 








Bling Ring: A Gangue de Hollywood

 
 
The Bling Ring é um filme de crime/drama baseado em fatos reais. Dirigido, escrito e produzido por Sofia Coppola, e estrelado por Emma Watson, Taissa Farmiga e Leslie Mann, bem como os novatos Israel Broussard e Katie Chang. As filmagens começaram em março de 2012. Será lançado em 14 de junho de 2013.

Inspirado em fatos reais, um grupo de adolescentes obcecados por fama, Rebecca (​​a líder), Marc, Nicki, Sam e Chloe, usam a internet para rastrear o paradeiro das celebridades, a fim de roubar as suas casas. Suas vítimas incluem Paris Hilton, Lindsay Lohan, Megan Fox, Rachel Bilson, Audrina Patridge e Orlando Bloom.

O novo filme da diretora americana Sofia Coppola era certamente um dos mais aguardados no Festival de Cannes. Ele abriu a competição da mostra Un Certain Regard. A história traz questões profundamente contemporâneas, por tratar do universo das celebridades, sua exploração midiática e a criação de ilusões, desejos e cobiça na vida de pessoas comuns. Como disse a diretora na conferência de imprensa: é um filme que não poderia ter sido feito 10 anos atrás. 


A escolha pelo título é explicado logo na sinopse: foi o nome dado pela mídia americana a uma gangue de jovens (entre 16 e 17 anos) que invadia casas de famosos em Los Angeles para roubar produtos de marca e se divertir. A escolha das celebridades não era aleatória: eram todos jovens nos quais o grupo se espelhava e que observava de longe em boates e casa noturnas que frequentavam. A história se baseia em fatos reais e chegou à diretora através de uma reportagem de Nancy Jo Sales, publicada na Vanity Fair em 2010 – “Os Suspeitos Usavam Louboutins”. Coppola interessou-se pelos personagens e seus delitos. Foi atrás das entrevistas colhidas pela jornalista e dos depoimentos registrados pela polícia, quando os meninos foram detidos.


A procura dos cinco atores para compor essa turma de amigos durou um ano. Para alguns, foi necessário um intenso trabalho de pesquisa, de forma a perder o sotaque (caso da britânica Emma Watson), adentrar no universo da moda (caso de Israel Broussard, que interpreta Mark, o personagem que conduz a história) e se familiarizar com o lifestyle de Los Angeles (para tanto, contaram com a ajuda da atriz Claire Julien, que de fato mora na cidade).


O filme tem muitos méritos além da história, que por si só já é bastante curiosa: é no mínimo surpreendente que adolescentes consigam acesso fácil e contínuo à casa de celebridades tão visadas. Ele incorpora com domínio a estética dos reality shows, das redes sociais e dos registros fotográficos (a multiplicidade de autorretratos instantâneos e compartilhados). A montagem é dinâmica e acelerada, no compasso do intenso fluxo de imagens e informações consumidas diariamente na internet. Assim, a contemporaneidade é trabalhada também enquanto linguagem, de forma fluida e bem-sucedida. 
 
O espírito juvenil também está na tela: a narrativa é leve e bem humorada, tratando a superficialidade dos personagens com boas doses de ironia. Não há lugar para o desenvolvimento da psicologia e da intimidade: a sucessão de imagens é também uma sucessão de ações. A leveza perpassa todo o filme e sobrevive a um acidente de carro potencialmente perigoso, com a motorista alcoolizada, ao consumo de drogas ilícitas, à possibilidade sempre presente da descoberta e punição. Mesmo a divulgação de imagens de câmeras de segurança de uma das casas invadidas, em TV aberta, não abala as ações dos invasores. Isso só é quebrado na saída do julgamento, com a narração em off da dura sentença, e na sequência final, em que o olhar de Mark não encontra consolo.

Vida e ficção se confundem quando sabemos que a casa mais visitada pelo grupo, e a mais excêntrica, é verdadeiramente a casa da milionária Paris Hilton. Os famosos do filme são os mesmos da vida real e há uma série de imagens de arquivo (fotos e vídeos) recheando a narrativa, contextualizando-a em seu tempo e conferindo mais força a sua abordagem temática. 

A própria feitura do filme traz em si uma operação interessante, trazendo a margem para o centro, girando os holofotes para as sombras. Contudo, Sofia Coppola guarda um distanciamento crítico e lúcido. Ela manteve os nomes reais das celebridades, mas fez questão de criar novos para os protagonistas e assim não contribuir para a fama que os jovens ganharam por motivos escusos.

                                  


 

  








quinta-feira, 16 de maio de 2013

FILME: Black Rock

 

Black Rock é um filme de suspense 2012 horror dirigido por Katie Aselton, baseado em um roteiro escrito por seu marido, Mark Duplass. O filme estreou em 1º de Janeiro de 2012, no Festival de Cinema de Sundance e será lançado nos cinemas em 17 de maio de 2013. 
  
Abby (Katie Aselton) convida suas amigas de infância Lou (Lake Bell) e Sarah (Kate Bosworth) para retornar a uma ilha, uma vez que passaram um tempo la nas suas juventudes, na esperança de juntar o grupo já distante.  

Na ilha, se deparam com Henry (Will Bouvier), Derek (Jay Paulson) e Alex (Anslem Richardson), três caçadores e soldados veteranos. Os dois grupos são inicialmente amigáveis, mas as coisas ficam tensas depois que os três homens mencionam que eles haviam sido exonerados do serviço militar, servindo no Oriente Médio. Relativamente imperturbável, Sarah decide ter relações sexuais com Henry, mas muda de idéia no meio. Na tentativa de parar o que agora é estupro, Sarah acidentalmente mata Henry, o que leva seus dois amigos perseguirem e caçarem as três mulheres.