quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

FILME: Gummo


Gummo é um filme cult de 1997 com argumento e realização de Harmony Korine. Os atores principais são Nick Sutton e Jacob Reynolds. Em vez de seguir um enredo tradicional, o filme desenrola-se através de histórias separadas aparentemente não-relacionadas, da vida de residentes locais fictícios da pequena cidade de XeniaOhio.

Em Gummo não há uma personagem principal nem uma narrativa linear. O fio condutor da trama é o quotidiano da população da pequena cidade Xenia (Ohio), que vive marcada por um tornado que arrasou a cidade anos antes. Dirigido num estilo quase documental, Gummo é o exemplo perfeito do sujo, da podridão e da concepção niilista por excelência. O tornado não é mais do que uma desculpa para retratar as vidas sem rumo da jovem população de Xenia, a destruição não é material, é psicológica.
Nesta pequena comunidade (influenciada no White Trash, termo americano pejorativo para a comunidade branca de baixíssimo estatuto social e economico) somos confrontados com o submundo dos horrores humanos onde a violência pró-diversão, a tortura de animais, suicídio, prostituição, abusos sexuais, racismo e homofobia são temas recorrentes e banalizados numa sociedade desprovida de quaisquer valores morais.
Visualmente o filme é perturbador, a cidade é imunda e desorganizada, tal como as pessoas. No entanto, chegamos a sentir empatia por algumas destas personagens. Exemplo disso é Solomon, um rapazinho estranho, que protagoniza uma cena no banho, em que a água está castanha e a casa de banho é extremamente suja (onde até encontramos uma tira de bacon colada na parede) e, como se isto não bastasse, a mãe ainda lhe traz comida e observamos durante longos minutos Solomon a comer na banheira; temos Bunny Boy, um rapazinho caricato que vagueia pela cidade com umas orelhas de coelho na cabeça sem nunca dizer uma única palavra ao longo do filme, e ainda temos uma jovem Chloë Sevigny a dar o ar de sua graça como Dot.
A acompanhar este freakshow temos uma trilha sonora que roça o esquizofrénico. Desde o heavy metal, a Roy Orbison e a clássicos dos anos 50, o silêncio penoso também impera em Gummo.
Tudo isto retrata o mais puro conceito do absurdo da existência. Nada tem sentido e o pessimismo e a melancolia imperam num mundo onde a destruição toma lugar da construção. Odiado pela crítica, adorado por grandes realizadores como Werner  Herzog, Gummo não é um filme para todos, mas com certeza ficará por muito tempo gravado na mente de quem o vê.







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