sábado, 27 de julho de 2013

FILME: Lolita - Adrian Lyne



Se a adaptação de Stanley Kubrick, da polêmica obra literária de Nabakov, causou escandalo, o mesmo aconteceu com o filme de Adrian Lyne. A história de um professor irremediavelmente apaixonado e obcecado por uma adolescente, foi demasiado para as consciencias puritanas das audiencias norte-americanas em plenos anos 90. Resultado: um fracasso nas bilheteiras (algo raro em Lyne, senhor de sucessos estrondosos, como 9 ½ Weeks, Fatal Atraction ou Indecent Proposal). As acusações da altura, foi de que estávamos na presença de um filme imoral, mas Lolita é precisamente o contrário. Senão como explicar a destruição final dos principais personagens. Seja Humbert e a falencia do seu amor, levando-o à loucura e ao homicidio. Seja Lolita tornando-se uma mulher banal e mundana, deixando morrer aquilo que a tornava especial.

Lyne opta por um tom muito mais sóbrio, que a abordagem de Kubrick. Enquanto o filme de 62 apostava no humor negro e na sátira, esta nova adaptação, caminha em terrenos da obsessão, drama e tragédia. Alem do mais, creio que os contornos e complexidades, de uma relação condenada à partida, são muito melhor explorados nesta película. Para isso, contribuiu enormemente a personagem torturada e dividida de Jeremy Irons, num dos seus grandes papéis, assim como o seu objeto de desejo, uma Dominic Swain, que transmite toda a tentação, inocencia e manipulação de forma tórrida e por vezes comovente. De destacar também a presença de Frank Langella no papel do monstruoso pedófilo Quilty, que nas poucas cenas em que aparece, transmite uma aura maléfica e perturbante. Ao pé de Quilty, Humbert parece um inocente, tal o nível de perversão deste personagem.

Trata-se de um filme complexo e com várias camadas de leitura. Injustamente confundido como uma obra exploratória, Lolita é no fundo um retrato da obsessão e de amor perdido. 


Sinopse

Em 1947, um professor de meia-idade (Jeremy Irons) de origem inglesa vai lecionar literatura francesa em uma pequena cidade da Nova Inglaterra e aluga um quarto na casa de uma viúva (Melanie Griffith), mas só realmente decide ficar quando vê a filha (Dominique Swain) dela, uma adolescente de doze anos por quem fica totalmente atraído. Apesar de não suportar a mãe da jovem se casa com ela, apenas para ficar mais próximo do objeto de sua paixão, pois a atração que ele sente pela enteada é algo devastador. A jovem, por sua vez, mostra ser bastante madura para a sua idade. Enquanto ela está em um acampamento de férias, sua mãe morre atropelada. Sem empecilhos, seu padrasto viaja com sua enteada e diz a todos que é sua filha, mas na privacidade ela se comporta como amante. Porém, ela tem outros planos, que irão gerar trágicos fatos.







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