terça-feira, 7 de maio de 2013

Les Misérables

 

Os Miseráveis, célebre livro escrito pelo francês Victor Hugo em 1892, já ganhou diversas versões para o cinema e também para outras mídias. A mais nova adaptação a chegar as telas não vem diretamente do livro, mas sim, da peça musical da Broadway que adapta o clássico de Victor Hugo. Esta nova empreitada comandada pelo diretor Tom Hooper, temos um musical que não aposta em “números musicais”, mas em todos os diálogos cantados em sua extensa duração de 157 minutos.

Logo no início temos um forte tema musical que marca o difícil trabalho que vários homens tem ao puxar um enorme navio para dentro do porto. Dentre esses homens, se encontra o prisioneiro chamado Jean Valjean (Hugh Jackman), que após cumprir 19 anos de prisão, por roubar um pedaço de pão, é solto em condicional. Mas ao sofrer preconceitos ao tentar se reintegrar a sociedade, Valjean infringe a condicional e desaparece. O encontramos oito anos mais tarde, estabelecido como um bondoso proprietário de uma fábrica e conhecido como Sr. Prefeito. Acostumado a ajudar os menos favorecidos, Valjean se sente tocado pela história de uma ex-operária de sua fábrica, Fantine (Anne Hathaway), que se expõe as mazelas da vida para conseguir alguns trocados para mandar para sua filha. Se sentindo responsável pelo destino da mulher, Valjean promete cuidar de sua filha, Cosette (Isabelle Allen/Amanda Seyfried), mesmo sendo incansavelmente perseguido pelo oficial Javert (Russell Crowe).

A grande força do longa reside em seu elenco que consegue transmitir a infelicidade que cerca os personagens. Hugh Jackman encarna toda a dor de Valjean, não só ao interpretar as canções, mas também em sua composição, que de início possui um olhar quase animalesco, devido a sua revolta por passar tanto tempo na prisão e por ser rejeitado pela sociedade, e que, com o passar do tempo muda para um olhar constantemente triste e preocupado. Enquanto Anne Hathaway transforma Fantine em um ser frágil pautado pela tragédia, se apresenta magra,  como se estivesse definhando frente as mazelas à que se submete. Além disso, é responsável pelo momento mais belo do longa ao interpretar a canção “I Dreamed a Dream” em um longo primeiro plano onde Hathaway exprime toda a angústia de sua personagem. Já Russel Crowe parece pouco a vontade na hora de soltar a voz, mas compõe o oficial Javert com a sisudez necessária e tem seu momento “batman”, quando canta ao lado de uma enorme estátua de uma águia e passeia a noite pelo parapeito como se estivesse tomando conta da cidade. Mas quem realmente rouba a cena é a bela Samantha Barks que demonstra sua impressionante potência vocal ao interpretar Éponine, que transita entre o desejo de possuir o amor de Marius e ajuda-lo a conquistar seu verdadeiro amor.

Apesar de todos os personagens serem pautados pela tragédia, Tom Hooper e o roteirista Willian Nicholson, inserem erroneamente uma dupla de personagens vividos por Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter como alívio cômico, destoando do clima do longa e quebrando o ritmo através de um extenso número musical para apresentá-los. Se a princípio acompanhamos a densa história envolvendo o trio Valjean, Javert e Fantine, a partir da metade uma nova história passa a ser contada, como se iniciasse um novo filme que acompanha a rebelião dos estudantes e um romance vivido por Amanda Seyfried e Eddie Redmayne. 

Apresentando um acervo musical forte, que em alguns momentos surge de maneira inventiva, por exemplo ao utilizar a melodia de “I Dreamed a Dream” para situações distintas. O filme, Os Miseráveis, sobrevive pela força de seu tema e por contar com ótimas atuações.




 









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