quarta-feira, 22 de maio de 2013

Bling Ring: A Gangue de Hollywood

 
 
The Bling Ring é um filme de crime/drama baseado em fatos reais. Dirigido, escrito e produzido por Sofia Coppola, e estrelado por Emma Watson, Taissa Farmiga e Leslie Mann, bem como os novatos Israel Broussard e Katie Chang. As filmagens começaram em março de 2012. Será lançado em 14 de junho de 2013.

Inspirado em fatos reais, um grupo de adolescentes obcecados por fama, Rebecca (​​a líder), Marc, Nicki, Sam e Chloe, usam a internet para rastrear o paradeiro das celebridades, a fim de roubar as suas casas. Suas vítimas incluem Paris Hilton, Lindsay Lohan, Megan Fox, Rachel Bilson, Audrina Patridge e Orlando Bloom.

O novo filme da diretora americana Sofia Coppola era certamente um dos mais aguardados no Festival de Cannes. Ele abriu a competição da mostra Un Certain Regard. A história traz questões profundamente contemporâneas, por tratar do universo das celebridades, sua exploração midiática e a criação de ilusões, desejos e cobiça na vida de pessoas comuns. Como disse a diretora na conferência de imprensa: é um filme que não poderia ter sido feito 10 anos atrás. 


A escolha pelo título é explicado logo na sinopse: foi o nome dado pela mídia americana a uma gangue de jovens (entre 16 e 17 anos) que invadia casas de famosos em Los Angeles para roubar produtos de marca e se divertir. A escolha das celebridades não era aleatória: eram todos jovens nos quais o grupo se espelhava e que observava de longe em boates e casa noturnas que frequentavam. A história se baseia em fatos reais e chegou à diretora através de uma reportagem de Nancy Jo Sales, publicada na Vanity Fair em 2010 – “Os Suspeitos Usavam Louboutins”. Coppola interessou-se pelos personagens e seus delitos. Foi atrás das entrevistas colhidas pela jornalista e dos depoimentos registrados pela polícia, quando os meninos foram detidos.


A procura dos cinco atores para compor essa turma de amigos durou um ano. Para alguns, foi necessário um intenso trabalho de pesquisa, de forma a perder o sotaque (caso da britânica Emma Watson), adentrar no universo da moda (caso de Israel Broussard, que interpreta Mark, o personagem que conduz a história) e se familiarizar com o lifestyle de Los Angeles (para tanto, contaram com a ajuda da atriz Claire Julien, que de fato mora na cidade).


O filme tem muitos méritos além da história, que por si só já é bastante curiosa: é no mínimo surpreendente que adolescentes consigam acesso fácil e contínuo à casa de celebridades tão visadas. Ele incorpora com domínio a estética dos reality shows, das redes sociais e dos registros fotográficos (a multiplicidade de autorretratos instantâneos e compartilhados). A montagem é dinâmica e acelerada, no compasso do intenso fluxo de imagens e informações consumidas diariamente na internet. Assim, a contemporaneidade é trabalhada também enquanto linguagem, de forma fluida e bem-sucedida. 
 
O espírito juvenil também está na tela: a narrativa é leve e bem humorada, tratando a superficialidade dos personagens com boas doses de ironia. Não há lugar para o desenvolvimento da psicologia e da intimidade: a sucessão de imagens é também uma sucessão de ações. A leveza perpassa todo o filme e sobrevive a um acidente de carro potencialmente perigoso, com a motorista alcoolizada, ao consumo de drogas ilícitas, à possibilidade sempre presente da descoberta e punição. Mesmo a divulgação de imagens de câmeras de segurança de uma das casas invadidas, em TV aberta, não abala as ações dos invasores. Isso só é quebrado na saída do julgamento, com a narração em off da dura sentença, e na sequência final, em que o olhar de Mark não encontra consolo.

Vida e ficção se confundem quando sabemos que a casa mais visitada pelo grupo, e a mais excêntrica, é verdadeiramente a casa da milionária Paris Hilton. Os famosos do filme são os mesmos da vida real e há uma série de imagens de arquivo (fotos e vídeos) recheando a narrativa, contextualizando-a em seu tempo e conferindo mais força a sua abordagem temática. 

A própria feitura do filme traz em si uma operação interessante, trazendo a margem para o centro, girando os holofotes para as sombras. Contudo, Sofia Coppola guarda um distanciamento crítico e lúcido. Ela manteve os nomes reais das celebridades, mas fez questão de criar novos para os protagonistas e assim não contribuir para a fama que os jovens ganharam por motivos escusos.

                                  


 

  








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