quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Apenas uma Noite - Last Night



É a estreia da iraniana Massy Tadjedin na direção. Tendo sido a sensação do Sundance Film Festival, o filme retrata o declínio de um casamento, tendo como base a suspeita de uma traição e um amor inesquecível. O casal protagonista formado por Keira Knightley e Sam Worthinton esbanja simpatia, e a história assinada pela própria diretora é muitíssimo bem contada.
Os filmes que trabalham conflitos amorosos do passado geralmente optam por problematizar eticamente a traição, a separação, e geralmente a ideologia da família nuclear se fixa como válida, dando o tom clichê da obra em questão. No caso de Apenas um Noite, para além das preocupações morais e impasses éticos, Joanna e Michael são tratados como seres humanos passíveis de sentimentos duvidosos em relação ao seu estado civil, embora ainda exista amor entre os dois. 
A fotografia urbana e escura do ótimo Peter Deming transmite às imagens a frieza que toma conta do relacionamento principal, que já abalado, aparece em conflito com novos objetos de desejo pelo meio do caminho. O mesmo vale para a trilha sonora precisa e pontual, marcada pela sensibilidade das cenas, optando por uma propícia variação musical ao piano. Quem realmente brilha é o francês Guillaume Canet e o novaiorquino Griffin Dunne.

Sem pretensões cult e com um final sugestivo, Apenas uma Noite é um desses filmes para uma sessão a dois, ou mesmo para uma sessão solitária, numa tarde chuvosa ou fria. 
Logo nos primeiros minutos de filme somos apresentados aos protagonistas Michael e Joanna Reed. O jovem e bonito casal nova-iorquino está a caminho de uma festa onde Joanna é apresentada à nova funcionária da empresa do marido, Laura. A tentação se apresenta, pelo menos aos olhos de Joanna, que ensaia uma cena de ciúme discreto ao final do evento. 

Toda a sequência da festa é sutilmente dirigida por Massy, também autora do roteiro, e a desconfiança nasce em Joanna de forma discreta, sem arroubos. Parcimônia bem-vinda em tempos de cinema “mastigado” para o espectador. Michael nada percebe, a não ser no fim da noite, quando voltam de táxi para casa. As palavras não são necessárias para transmitir a tensão vivida pelo casal. Basta a imagem dos dois, homem e mulher sentados em lados opostos do banco de trás olhando distraidamente a cidade pela janela. 

A discussão acontece quando o casal chega em casa e a irritação de Joanna, embalada por doses de vinho a mais, parece exagerada. A tensão abranda e tudo provavelmente voltaria ao normal se não fosse pelo fato de Michael viajar a trabalho no dia seguinte, acompanhado do pivô da discussão, a sedutora Laura. 

Convenientemente, após a viagem do marido, Joanna vai tomar café da manhã e encontra o charmoso Alex (Guillaume Canet), um caso passageiro do passado em passagem pela cidade. Daí em diante, pela uma noite que dá nome ao filme, Michael e Joanna vão se confrontar com tentações e sentimentos de culpa. 

















Nenhum comentário:

Postar um comentário