quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Girls HBO



Protagonizada por Lena Dunham (também é autora e diretora), Allison Williams, Jemina Kirke e Zosia Mamet, Girls conta a história de quatro garotas com cerca de 20 anos, vivendo em Nova York. Hannah é aspirante a escritora e faz estágio em uma editora em Manhattan, Marnie é recepcionista em uma galeria de arte, Jessa, inglesa, estuda filosofia e faz bicos como babysitter, e Shoshanna ainda é estudante. Algumas são bem-nascidas, enquanto outras trabalham para conseguir se manter. Em comum: todas tem vida sexual bastante agitada e descobrem que encontrar emprego e amor em uma grande cidade como Nova York não é tão fabuloso quanto Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte podem fazer crer.

A primeira cena de Girls, que estreou no fim de semana na HBO dos EUA, é uma daquelas conversas difíceis de pais com a filha. Hannah é uma garota articulada, formada em Literatura, morando em Nova York. Os pais, aparentemente bem de vida, marcam o jantar em um restaurante chique para falar de um assunto importante. Parece que já vimos esse filme (ou essa série), só que em outros tempos a tal “conversa de adultos” giraria em torno do casamento (ou ausência de), os estudos, gravidez ou drogas. Em Girls, o problema para os pais é outro: Hannah, 24 anos, formada há dois, não arranjou um emprego de verdade e gasta tudo em celular, aluguel e em um estilo de vida festeiro. Hannah-pai e Hannah-mãe querem cortar o cordão umbilical. Nada de mesada.

Porque Hannah representa um pedaço cada vez maior da juventude americana (e aqui do Brasil, nas grandes cidades) de que ninguém parece querer falar. Especialmente porque muitas mulheres se veem naquela caricatura. Alguns lugares estão vendendo a série como a Sex and the City para a nova geração, o que parece fazer sentindo vendo a sinopse. Há 4 protagonistas mulheres de seus 20 e poucos anos, cada uma com sua personalidade difícil, tentando se dar bem na cidade grande e vivendo seus casos românticos. Mas achar o príncipe encantado ou equilibrar trabalho e vida pessoal não são exatamente os desafios das moças. Elas querem se achar e sobreviver, basicamente. Como destacou a crítica do New York Times:
Sex and the City servia fracasso romântico embalado nas armadilhas do sucesso. Girls nos oferece fracasso romântico embalado nas armadilhas do fracasso. A economia flutua, bairros ficam legais e entram em decadência, mas os homens nunca deixam de desapontar. Sex and the City, que começou em 1998, quando suas heroínas já estavam nos seus 30 anos, enquadra a relação com os garotos com uma aveludada moldura de glamour, coquetéis e imóveis caros. Em Girls, as mulheres estão nos seus 20s, e as desventuras do amor vêm acompanhadas de apartamentos apertados, DSTs e trabalhos voluntários sem perspectiva de futuro.








Nenhum comentário:

Postar um comentário