segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Fabergé



Os Ovos Imperiais Fabergé têm cerca de 13 centímetros, são decorados com desenhos cheio de detalhes e crivados de pedras preciosas – todos foram criados para a família imperial russa.

Os ovos podiam ser feitos de prata, ouro e cobre ou de pedras encontradas na região, como o quartzo, jade e lápis-lázuli. No século XIX, poucas cores eram utilizadas e a esmaltação translúcida era uma técnica muito valorizada. Mas, Fabergé criou mais 140 tonalidades. Sobre a base do ovo era feito um desenho, com a utilização de muitas pedras preciosas, principalmente diamantes. A Casa Fabergé está representada na França, Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos e no Brasil.

A joalheria produz séries limitadas de ovos, em cristal “Saint Louis” vermelho, azul, verde ou translúcido, a lapidação reproduzindo o desenho dos originais do século XIX e início do século XX.
Do lado esquerdo: exemplar Fabergé em cristal translúcido. No centro: exemplar que celebra a floração das macieiras. Do lado direito: exemplar em cristal Saint Louis azul.

A Páscoa é a mais importante festa do calendário da Igreja Ortodoxa Russa – a tradição “pede” troca de ovos de galinha decorados (como símbolo de esperança e vida renovada) e três beijos na comemoração... Essa história de ovos decorados é bem antiga...Peter Karl Fabergé, nasceu em 18/05/1846... Filho de Gustav Fabergé, estudou na Inglaterra, França, Alemanha e Itália.

Em 1870, com 24 anos, herdou o negócio de joias que seu pai tinha estabelecido em 1842, em São Petersburgo, na atual Federação Russa, ganhando rapidamente reputação internacional por seu trabalho...
Foi na Páscoa de 1885 que o czar Alexander III resolveu inovar... Ele encomendou para Fabergé, joalheiro oficial da corte imperial russa desde 1882, o presente para sua esposa, a czarina Maria Feodorovna.
A partir de então, Fabergé passou a receber a encomenda de um novo presente a cada ano, com a condição de que a peça fosse única e contivesse, no seu interior, uma surpresa inesquecível para a Imperatriz.

Com grande criatividade e talento técnico, Fabergé anualmente superava o desafio, buscando inspiração em fatos da vida do casal imperial. Os motivos se tornaram temáticos: cenas da história da Rússia, a inauguração da estrada de ferro que ligava Moscou à Sibéria e atos de bravura dos militares. Com base no luxo e a sofisticação da família imperial e às tradições religiosas da festa da Páscoa, Fabergé criou um pequeno ovo de ouro e pedras preciosas.

A joalheria de Fabergé alcançava seu ápice, mas em contrapartida o império russo declinava. A crescente crise da corte czarista afetou a obra de Carl, que começou a optar por materiais semipreciosos na confecção de suas peças. Nesse contexto, os ovos criados pelo joalheiro ficaram para sempre ligados à imagem da decadência do regime czarista, um paradoxo entre a pobreza que assolava o país e a opulência de um Império falido.

Devido ao conturbado momento histórico, Fabergé decidiu em 1916 fechar sua joalheria. Os ovos, que faziam parte das jóias imperiais foram em parte saqueados e outros confiscados pelo novo governo. Sendo visto como um símbolo da luxúria que dominava o antigo governo, o joalheiro teve que buscar exílio na Suíça, onde viveu até a sua morte em 1920.

Décadas depois da revolução, os ovos passaram a ser muito valorizados, tanto pela beleza inigualável como pela mística que se criou em torno da má sorte da família imperial. Colecionadores de todo o planeta disputavam as peças em leilões que acabavam sempre em arremates por valores extremos.

O mais caro deles, vendido por 12,5 milhões, foi leiloado em 2007. E apesar do preço, não era um dos ovos produzidos para os czares, mas um ovo feito para um cliente particular do joalheiro. Estima-se que Fabergé tenha produzido 56 ovos imperiais, mas destes apenas 44 foram localizados.

Presentes de Alexander III à sua esposa, Imperatriz Maria Feodorovna:
  1. 1885 – “The First Imperial Egg” ou “The Hen Egg” (Fundação Victor Vekselberg). “O Primeiro Ovo Imperial” foi criado em honra ao Vigésimo Aniversário do Casamento de Alexander III e Maria Fedorovna, nascida Princesa Dagmar, da Dinamarca. Um comum ovo de galinha, lavrado em ouro e platina, gemas preciosas e esmalte. Dentro do ovo que se abre como uma caixa, contém uma galinha com olhos de rubi.
  2. 1886 – “Hen Egg with Sapphire Pendant” ou “The Second Egg” (Missing). “O Segundo Ovo”, com 64 milímetros de comprimento, acolhe em seu interior uma coroa imperial em miniatura, trabalhada com diamantes e rubis, e um pingente de safira.
  3. 1887 – “Blue Serpent Clock Egg” (Coleção do Príncipe Rainier III de Mônaco)
  4. 1888 – “Cherub Egg with Chariot” (Missing)
  5. 1889 – “Necessaire Egg” (Missing)
  6. 1890 – “Danish Palaces Egg” (New Orleans Museum of Art: Matilda Geddings Gray Foundation Loan). O “Ovo Palácios Dinamarqueses” guarda em seu interior um biombo dobrável, com painéis pintados sobre madripérola, emoldurados em ouro colorido. Oito painés mostram palácios e residências na Dinamarca, onde a Imperatriz passou sua infância.
  7. 1891 – “Memory of Azov Egg” ou “The Azov Egg” (Museu Tesouros do Kremlin, Moscou). O “Ovo Memória Azov” foi esculpido em peça sólida de jaspe heliуtrope, decorado com diamantes em estilo Luís XV (rococó). Dentro, réplica do veleiro Pamiat Azov, feito em ouro e platina, com janelas em pequenos diamantes, o qual descansa em uma placa de água-marinha, representando a água.
  8. 1892 – “Diamond Trellis Egg” (coleção privada anônima)
  9. 1893 – “The Caucasus Egg” (New Orleans Museum of Art: Matilda Geddings Gray Foundation Loan). O “Ovo Cáucaso” representa vistas de minúsculas montanhas retratadas no Cáucaso, onde o grão-duque George, irmão mais jovem de Nicolau II, devido a sua saúde precária, gastou grande parte de sua vida. As miniaturas foram assinadas por Krijitski, são mostradas abrindo-se as 4 portas circundadas de pérolas e, cada uma delas comporta um numeral do ano em diamantes.
  10. 1894 – “Renaissance Egg” ou “The Egg of 1894” (Fundação Victor Vekselberg). O “Ovo Renascença” foi esculpido em bloco de ágata leitosa, como porta-joias montado horizontalmente sobre base de ouro esmaltado (padrão linear no Renascimento), com ouro, diamante, esmeralda, lápis-lazuli e rubi. Este ovo foi o último presente que Alexander deu à sua esposa. Foi esculpido por Le Roy, agora localizado em Dresden, Alemanha. Não é conhecido o que há dentro (the nature of the surprise it contained is unknown).



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