segunda-feira, 2 de maio de 2011

A Verdadeira História da Bela Adormecida



Na versão conhecida de A Bela Adormecida, a adorável princesa adormece quando fura seu dedo em uma agulha. Ela dorme por cem anos até que o príncipe finalmente chega, beija-a, e acorda-a. Eles se apaixonam, casam, e vivem felizes para sempre. Contudo, o conto original não é tão doce.

Nele, a jovem garota adormece por causa de uma profecia, não de uma maldição; e não é o beijo do príncipe que a desperta: o rei a vê dormindo e, querendo se divertir, a estupra. Depois de nove meses, nascem duas crianças (e ela continua dormindo). Uma das crianças chupa o dedo da mãe, retirando a peça de linho que fazia ela dormir.

E a coisa não para por ai, o príncipe que a engravidou continuou voltando durante os nove meses. Quando ele chegou lá e encontrou a bela, já não mais adormecida e com duas crianças, ele decidiu se casar com ela, mas ele não poderia levá-la ao seu castelo, pois sua mãe era uma ogra que tinha o hábito de comer qualquer criança que aparecesse em seu caminho.

Por isso ele esperou alguns anos até que seu pai morresse e ele virasse rei para aí então poder levar sua mulher para seu reino. E assim aconteceu, mas na primeira viagem que ele fez, sua mãe ogra resolveu fazer o que todo ogro tem que fazer: comer seus dois netos, e não satisfeita, também sua nora. Mas, com a ajuda do cozinheiro a bela acordada conseguiu se esconder até o retorno de seu marido, que quando ficou sabendo dos planos de sua mãe mandou matá-la. 

Em outras versões, o príncipe na verdade já era rei, e a mãe ogra era a esposa do rei, o resto é bem parecido. A esposa ciumenta quer, como vingança, comer os dois filhos bastardos do rei, mas acaba sendo descoberta e é queimada viva numa fogueira.

A Bela Adormecida é um clássico conto de fadas cuja personagem principal é uma princesa que é enfeitiçada para cair num sono profundo, até que um príncipe encantado a desperte com um beijo provindo de um amor verdadeiro.

A versão mais conhecida é a dos Irmãos Grimm, publicada em 1812, na obra Contos de Grimm, sob o título A Bela Adormecida. Esta é considerada que tem como base tanto na versão Sol, Lua e Talia de Giambattista Basile, extraído de Pentamerone, a primeira versão a ser publicada na data de 1634, como na versão do escritor francês Charles Perrault publicada em 1697, no livro Contos da Mãe Ganso sob o título de A Bela Adormecida no Bosque, que por sua vez também se inspirou no conto de Basile.

O conto foi adaptado para o balé em 1890 por Tchaikovsky, cuja inspiração obteve no conto de Charles, e mais tarde para o cinema pela Disney em 1959. Este filme de animação é uma adaptação tanto da versão doe balé.

História:

Na festa do batismo da tão desejada princesa, foram convidadas 12 fadas e como madrinhas desta ofereceram-lhe como presentes a beleza, o talento musical, a inteligência, entre outros valores apreciados. No entanto, uma velha fada que foi negligeciada, porque o rei apenas tinha doze pratos de ouro, interrompeu o evento e lançou-lhe como vingança um feitiço cujo resultado seria, ao picar o dedo num fuso, a morte quando a princesa atingisse a idade adulta. Porém restava o presente da 12ª fada. Assim sendo, esta suavizou a morte, transformando o maldição da princesa para cem anos de sono profundo, até que seja despertada pelo primeiro beijo oriundo de um amor verdadeiro.

O rei proibiu imediatamente qualquer tipo de fiação em todo o reino, mas em vão. Quando a princesa contava 15 anos, descobriu uma sala escondida num torreão do castelo onde encontrou uma velha a fiar. Curiosa com o fuso pediu-lhe para a deixar fiar, picando-se nesse mesmo instante. Sentiu então o grande sono que lhe foi destinado e, ao adormecer, todas as criaturas presentes no castelo adormeceram juntamente, sob o novo feitiço da 12ª fada que tinha voltado entretanto. Com o tempo, cresceu uma floresta de urzes em torno do castelo adormecido, isolando-o do mundo exterior e dando uma morte fatal e dolorosa nos espinhos a quem tentasse entrar. Assim muitos príncipes morreram em busca da tal Bela Adormecida cuja beleza era tão falada.

Após cem anos decorridos, um príncipe corajoso enfrentou a floresta de espinhos, mesmo sabendo da morte de outros tantos, e consegiu entrar no castelo. Quando encontrou o quarto onde a princesa dormia, estremeceu de tal maneira ao ver a sua beleza, que caiu de joelhos diante o seu leito. Ele beijou-a e ela acordou finalmente. Então todos no castelo acordaram e continuaram onde haviam parado há cem anos. O conto termina aqui, na boda do príncipe, com a famosa frase e viveram felizes até ao fim dos seus dias.

Cada versão do conto tem um nome diferente desta personagem. Em Sol, Lua e Talia, ela tem o nome de Talia, cuja derivação provém da palavra grega Thaleia, que significa "o florescimento".

Perrault, por sua vez, não lhe deu nome. Esta é simplesmente chamada como "a princesa", enquanto Aurora é o nome da filha da princesa. Porém Tchaikovsky transferiu o nome da filha para a mãe, sendo então Aurora o nome da princesa no filme da Disney.

Por fim, os Irmãos Grimm referem a princesa como a Bela Adormecida. No idioma original é chamada, tal como no título, de Dornröschen, cuja tradução de dorn é espinho e de röschen é florzinha.

No conto de Basile, a princesa Talia cai num sono profundo quando fica com um pedaço de linho encravado debaixo da unha. O rei, que já está casado, quando a descobre no castelo abandonado fica de tal maneira apaixonado que lhe tira os frutos do amor enquanto ela dorme. Apenas nove meses após esta visita que Talia acorda, altura em que dá à luz os dois infantes, o Sol e a Lua. Quando a rainha, esposa do rei, fica com o conhecimento da existência de Talia e dos seus dois bastardos, ordena imediatamente as suas condenações, porém esta acaba por morrer no próprio fogo que preparava para a princesa, deixando todos os restantes felizes para sempre.

Em Perrault, a princesa acorda quando um príncipe a descobre e, apaixonados, casam-se e criam um amor que tem como frutos uma filha chamada Aurora e um filho com o nome Dia. No entanto, o amado é convocado para uma batalha, deixando a princesa e os seus filhos ao cuidado da sua mãe ciumenta, que até então não sabia da existência do casamento do filho. Esta é descendente de ogros e as suas tendências canibais provocariam a morte destes três, se não fosse a compaixão de um cozinheiro, que engana a sua majestade com carnes de animais. Por fim, quando o seu filho chega e descobre as tentativas de destruir a sua família, a rainha suicida-se ao saltar para um tanque repleto de sapos, serpentes e víboras que tinha preparado para a princesa.

As segundas partes destas duas versões são consideradas por alguns folcloristas como contos distintos que foram unidos inicialmente por Basile.

Para que um leitor crie laços afetivos com a literatura, há muitos fatores em jogo. O principal é a adequação dos textos nas etapas do desenvolvimento infanto-juvenil. E os Contos de fadas ajudam nesse desenvolvimento, porque possui uma linguagem especifica para cada fase da criança. Embora cada criança, pré-adolescente e adolescente tenha evolução biopsíquica diferentes a natureza e a seqüência de cada estagio são iguais para todos.

Inicialmente os Contos de Fadas eram escritos para adultos, muitos dos textos transmitidos hoje para as crianças tinha um cunho sexual forte. Em uma das primeiras interpretações de A Bela Adormecida, o príncipe abusa sexualmente da princesa em seu sono, depois parte deixando-a grávida. Com a invenção da imprensa que as crianças começaram a manusear livros específicos para seu desenvolvimento intelectual. O conto a Bela Adormecida no Bosque, é repleto de símbolos sexuais. Sendo que foram até feitos estudos por meio da visão psicanalítica e da independência da mulher sobre seu corpo e sua sexualidade.

Marilena Chauí (1984), professora de Filosofia da USP e autora de vários livros, divide os contos de fadas em dois tipos: um designado como contos de retorno, cuja sexualidade aparece nas formas disfarçadas da genitalidade, são aqueles que asseguram a criança o retorno a casa e ao amor dos familiares, como os contos João e Maria e Chapeuzinho Vermelho e outro como conto de partida, em que a sexualidade genital terá prioridade sobre as outras fases oral e anal e os personagens desses contos passarão por várias provas que atestem sua maturidade, exemplos desse tipo de conto são a Cinderela, A Bela e a Fera entre outros.

A Bela Adormecida no Bosque aborda da luta da menina para atingir a condição de mulher, assumindo-se com firmeza suas vontades e seus sonhos, sendo que a adolescência é a passagem do ser meninas para o ser mulher. Nos contos de partida, a adolescência é atravessada submetida a provações até ser ultrapassada rumo ao amor e a vida nova. Nesses contos, a adolescência é um período de feitiço, encantamento, sortilégio que tanto podem ser castigos merecidos quanto imerecidos, mas que servem de refugio ou de proteção para a passagem da infância à idade adulta.

A história segundo Perrault, inicia com o nascimento da personagem marcado por dificuldades, pois sua mãe, a rainha, era estéril. Quando a criança nasce é marcado pela celebração do novo, da criação, da continuidade dos antepassados. Era uma vez um rei e uma rainha que estavam muito desgostosos por não terem filhos – mais do que se imaginar. Mas finalmente um dia a rainha engravidou e teve uma filha.

Surge então as fadas, que representem o poder, retratam a variedade dos diversos lados do ser humano. Uma fada, entretanto é preterida, ela simboliza o lado obscuro do ser humano. Ela foi relegada ao abandono e uma vez reprimida esclarece que o destino está traçado: a morte da princesa. A fada malvada estava tão furiosa que, logo ali, fez a terrível profecia de que a princesa, ao completar 15 anos, se picaria num fuso e morreria.

O rei, na ânsia de proteger a filha, manda destruir todas as rocas do Reino, na verdade, destruía a possibilidade dela aprender a lidar com o lado feminino, pois a roca expressa o tecer, a atividade feminina do gerar. A Bela Adormecida será vitima da curiosidade que a faz tocar no objeto proibido – o fuso, onde se fere e sangra. O objeto fuso, possui também a simbologia do órgão sexual masculino. O furar o dedo relaciona-se com a mão, símbolo do controle do agir, ou seja, ela estaria com dificuldades de cuidar da sua vida, devido à super-proteção dos pais e o sangramento representa o inicio da menstruação, que surge na adolescência.

É muito significativo que o rei, o homem, não compreenda a necessidade da menstruação e tente impedir a filha de viver o sangramento fatal. Todos os esforços do rei para evitar a “maldição” da fada maligna falham. O rei não pode impedir o sangramento fatal da filha. A ausência dos pais nesse período simboliza a incapacidade dos pais de protegerem os filhos das fases do crescimento pelas quais todos passam. E a maldição se concretiza. “Na linguagem popular, referindo-se também à sua origem Bíblica, chamaremos a menstruação de ‘maldição’, e é uma maldição feminina”. 

Quando uma mulher tiver seu fluxo de sangue, ficará impura durante sete dias: qualquer um que a tocar será impuro até a tarde. Todo móvel em que ela se deitar durante sua impureza será impuro, e igualmente aquele que ela se assentar. Se alguém dormir com ela, e for tocado por sua impureza, será impuro durante sete dias. A maldição da princesa irá acontecer durante o encontro com uma mulher velha, que de acordo com a Bíblia, esta maldição é herdada de mulher para mulher. E vencida por um sangramento, a princesa cai num longo sono, protegida de todos os homens e de encontros sexuais precoce. Este adormecer da princesa pode ser associado com o desejo de dormir constante dos adolescentes ou de ter a sexualidade adormecida.

O Rei ordenou que a deixassem dormir em paz, até que a hora do seu despertar chegasse. A boa fada que lhe tinha salvado a vida, condenando-a a dormir cem anos, encontrava-se no Reino de Mataquim foi porém avisada no mesmo instante. Muitos serão os príncipes que tentaram alcançar a princesa antes dela se tornar uma adulta, mas todos eles pereceram nos espinhos ao redor do castelo. “O conto adverte à criança e aos pais que o desertar do sexo antes da mente e do corpo estarem prontos para ele é muito destrutivo.”

É preciso que se cumpra o ciclo completo, os cem anos, ou seja, tudo tem o seu momento, não se consegue violar o ritmo da vida. Depois deste período surge o príncipe, que com o auxilio de sua espada foi abrindo caminho para o interior do castelo, ou seja, a vida vegetativa da princesa irá ceder espaço para a tomada da consciência adulta. O encontro harmonioso do príncipe e da princesa, o despertar de um para o outro, é um símbolo do que implica a maturidade. A vinda do príncipe no tempo certo pode ser interpretada como o evento que produz o despertar da sexualidade.

Enfim dependendo da idade, a criança entenderá de modo diferente este despertar do sono, porém o Conto A Bela Adormecida auxilia a criança a criar uma idéia menos traumática sobre o período da adolescência e da menstruação. Para ela no tempo certo, a primeira cópula terá conseqüências felizes. E a maldição é uma benção disfarçada, pois implanta na criança o pensamento de que estes acontecimentos devem ser levados a sério, mas que não precisa temê-los.

É fato que os Contos de Fadas caíram no gosto popular, sejam crianças ou adultos. E que Charles Perrault junto com outros autores conseguiu imortalizar contos fantásticos que serviam de conselheiros para transmitirem lições de moral para crianças.

Podemos caracterizar os contos de fadas como pedagógicos, mas não apenas isso. Para uma eles deverão ser utilizados como momentos de descontração para que elas possam entender os verdadeiros símbolos dos textos.
Assim, os contos de fadas, através de sua riqueza simbólica, descrevem a realidade subjetiva da mente humana. Isso nos torna mais verdadeiros, pois nos faz refletir sobre os aspectos obscuros da nossa alma, que não podem ser alcançados diretamente através do pensamento.

E o conto A Bela Adormecida no Bosque, possui características fundamentais para um crescimento intelectual da criança, preparando-a para uma passagem importante das nossas vidas e auxiliando nas experiências do despertar da sexualidade vivido pelos adolescentes, principalmente as meninas, que passam por transformações mais definidas e turbulentas no corpo.















3 comentários:

Anônimo disse...

Gente!que medo...nunca ia imaginar...

Mirian Cardoso disse...

Adorei a pesquisa que fez em relação as versóes da bela adormecida. Eu adoro ler algumas supostas verdades por trás dos contos de fadas. Tanto gosto, que também produzo as minhas versões das mesmas! Fiz uma relacionada a essa da Bela, caso se interesse, dê uma olha e deixe sua opinião! Abraço!
http://restritodreams.blogspot.com.br/p/cdf.html

kaliane silva disse...

Bom, Quase todas as hitórias são assim.... Trágicas ;-;
muitas pessoas nem faziam idéia que era assim a verdadeira realidade dos "Contos de Fadas"
mas essa hitória e a da Chapeuzinho Vermelho me surpreenderam
#Infância #Destruída ._.

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