sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A Verdadeira História de Pocahontas



Em 1995, Roy Disney decidiu lançar um novo filme de animação sobre a história de uma mulher da tribo Powhatan, que ficou conhecida como Pocahontas. Os descendentes da tribo, através do Chefe Roy Crazy Horse, demonstraram indignação diante das declarações de Roy Disney que afirmou que o filme é “responsável, bem apurado e respeitável”.

“Nós, da Nação Powhatan, discordamos das afirmações de Disney. O filme apresenta uma visão distorcida que vai muita além da história original. Nossas ofertas para ajudar a Disney em aspectos culturais e históricos foram rejeitadas. Tentamos fazer com que a Disney corrigisse os erros ideológicos e históricos do filme, mas fomos ignorados.

Pocahontas é um apelido que significa ‘a metida’ ou ‘criança mimada’. O seu nome real era Matoaka. A história conta que ela salvou o herói britânico, John Smith que seria executado pelo seu pai em 1607. Nesta época, Pocahontas teria apenas entre 10 e 11 anos de idade. Além disso, Smith foi descrito por seus companheiros colonizadores como “agressivo, ambicioso, e um soldado que gostava de se auto-promover.”

De todos os filhos do chefe da tribo, Powhatan, somente Pocahontas ficou conhecida, primeiramente porque se tornou uma heroína dos Euro-americanos conhecida como ‘A Boa Índia’ porque salvou a vida de um homem branco. Não foi somente o tema “bom índio/mau índio” que ganhou nova vida através da Disney, mas a história publicamente conhecida pelos ingleses, foi falsificada em nome do entretenimento.

A verdade é que a primeira vez que John Smith contou a história sobre seu resgate foi somente 17 anos após o acontecido. E entre as três versões contadas pelo pretensioso Smith estava a versão em que dizia ter sido salvo por uma mulher selvagem.

Ainda, em um artigo Smith escreveu sobre o período pelo qual conviveu com a tribo Powhatan durante o inverno. O soldado caçador de aventuras contou que ficou estabelecido na aldeia confortavelmente como um convidado de honra de Powhatan, seus filhos e irmãos. No entanto, a maioria dos pesquisadores sobre a colonização Americana acredita que o incidente relatado por Smith é um fato não verídico, principalmente por este fazer parte do longo artigo que foi usado como justificativa para a declaração de Guerra contra o povo de Pocahontas.

Os euro-americanos devem se perguntar por que foi conveniente elevar a fábula contada por Smith a um status de mito nacional tão importante a ponto de este ser reciclado pela Disney Animation. A imprensa cinematográfica ainda transformou a menina Pocahontas em uma jovem mulher.

Apesar do que diversos desenhos mostram, Smith era na verdade um homem de meia idade, de cabelos castanhos, de barba e cabelos longos. Ele era um dos líderes colonos, e, em 1907, fora raptado por caçadores Powhatans. Ele possivelmente seria morto, mas Pocahontas interveio, conseguindo convencer o pai que a morte de John Smith atrairia o ódio dos colonos.

Graças a esse evento [e mais duas oportunidades em que Pocahontas salvou a vida dos colonos], os Powhatan fizeram as pazes com os colonos. Ao contrário do que dizem os romances sobre sua vida, Pocahontas e Smith nunca se apaixonaram. Smith serviu como um tutor da língua e dos costumes ingleses para Pocahontas. Vale lembrar que os colonos respeitavam seriamente Pocahontas. Em 1609, um acidente com pólvora obrigou John Smith a se tratar na Inglaterra, mas os colonos disseram a Pocahontas que Smith teria morrido.

A verdadeira história de Pocahontas tem um triste final. Em 1612, com apenas 17 anos, ela foi aprisionada pelos ingleses enquanto estava em uma visita social e foi mantida na prisão de Jamestown por mais de um ano. Durante o período de captura, o inglês John Rolfe demonstrou um especial interesse na jovem prisioneira. Como condição para Pocahontas ser libertada, ela teve de se casar Rolfe, que era um dos mais importantes comerciantes ingleses no setor de tabaco.

Pocahontas passou um ano prisioneira, mas tratada como um membro da corte. Alexander Whitaker, ministro inglês, ensinou o Cristianismo e aprimorou o inglês de Pocahontas, e, quando este providenciou seu batismo cristão, Pocahontas escolheu o nome de Rebecca.

Logo após isso, ela teve seu primeiro filho, a qual deu o nome de Thomas Rolfe. Os decendentes de Pocahontas e John Rolfe ficaram conhecidos como ‘Red Rolfes’.
Em 1616, Rolfe, Rebecca/Pocahontas e Thomas, viajaram para Inglaterra. Junto a eles, onzes membros da tribo Powhatan, incluindo o sacerdote Tomocomo. Na Inglaterra, Pocahontas descobriu que Smith estava vivo, mas não pode encontrá-lo, pois estava viajando. Mas Smith mandou uma carta a Rainha Anne, informando que fosse tratada com nobreza. Pocahontas e os membros da tribo se tornaram imensamente populares entre os nobres, e em um evento, Pocahontas e Tomocomo se encontraram com o Rei James, que criou uma imensa simpatia com ambos.

Em 1617, Pocahontas e John Smith se reencontraram. Smith escreveu em seus livros que durante o reencontro, Pocahontas não disse uma palavra a ele, mas quando tiveram a oportunidade de conversarem sozinhos por horas, ela declarou estar decepcionada com ele, por não ter ajudado a manter a paz entre sua tribo e os colonos. Meses depois, Rolfe e Pocahontas decidem retornar a Virginia, mas uma doença [provavelmente varíola] obrigou a retornarem com o navio. Entretanto, ao chegar na costa, Pocahontas morre.

Após sua morte, diversos romances foram escritos, sendo que todos retratavam um romance entre Smith e Pocahontas. A maioria, ainda, tratava John Rolfe como um vilão, que teria separado os dois, e casado com Pocahontas a força. Apesar de sua fama, as figuras encontradas sobre Pocahontas sempre foram de caráter fantasioso, sendo a mais real figura de Pocahontas, a pintura de Simon Van de Passe.

Hoje em dias, muitas pessoas tentam associar sua arvore genealógica a Pocahontas, incluindo o ex-presidente George W. Bush, mas na verdade, ele seria descendente apenas de John Rolfe, a partir de um filho de um casamento posterior a morte de Pocahontas. Entre as pessoas confirmadas como descendente de Pocahontas destaca-se Nancy Reagan, viúva de Ronald Regan.

O chefe Powhatan morreu na primavera seguinte. Os descendentes da tribo de Pocahontas foram dizimados e suas terras foram tomadas por colonizadores.

“É triste que essa história, da qual euro-americanos deveriam se envergonhar, se tornou meio de entretenimento, perpetuando um mito irresponsável e falso sobre a Nação Powhatan.” Chief Roy Crazy Horse.

Ele queria que fosse um épico de grande escala que seria adaptável ao tipo de musical estilo Broadway que a Disney havia recentemente abraçado. “Era um fim-de-semana de Ação de Graças e eu estava tentando descobrir o que faria a seguir”, conta Gabriel. “Eu sabia que queria que fosse uma história de amor e estava pensando que um western podia ser um pouco diferente. Eu pensei sobre Pecos Bill e alguns outros títulos, mas parecia que todos já haviam sido feitos antes. E então o nome Pocahontas me veio à mente e eu fiquei bastante ansioso em relação a ele. Todos conheciam o conto dela salvando a vida de John Smith e parecia um modo natural de contar a história sobre dois mundos conflitantes separados tentando entender um ao outro".

Peter Schneider (o então presidente da Walt Disney Feature Animation) e seu time de desenvolvimento consideravam uma versão animada da história de “Romeu e Julieta” por cerca de oito anos e o rascunho de Mike Gabriel da história de Pocahontas tinha muito dos mesmos elementos. Schneider diz que “nós estávamos particularmente interessados em explorar o tema de que se não aprendermos a viver uns com os outros, nos destruiremos".

Com seu projeto tendo recebido a aprovação dos executivos (o projeto aprovado mais rapidamente na história do estúdio), Gabriel começou a escrever um rascunho da história e trabalhou com Joe Grant em experimentações visuais preliminares e notas de história.




The New World: Realizado por Terrence Malick, “O NOVO MUNDO” conta nos principais papéis com Collin Farrel, Christopher Plummer, Christian Bale e Q’orianka Kilcher.

Em 1607, três embarcações inglesas, financiadas pela London Virgínia Company, partem ao longo do oceano Atlântico rumo a novos territórios, na esperança de encontrarem lendários tesouros e ouro. Ao desembarcar em James River, na Virgínia, estabelecem a colônia de Jamestown. A maioria dos 103 colonos do grupo original eram aristocratas mal preparados para as condicionantes do Novo Mundo, pelo que as condições de vida na colônia se degradam ao ritmo que se desvanece a esperança de encontrar ouro.

O Capitão John Smith, é encarregue de liderar uma expedição ao longo do rio Chickahominy, com o objetivo de encontrar comida. Durante a expedição, os nativos da tribo Powhatan, a tribo dominante da região, abordam o grupo do Capitão Smith. Todos à exceção de Smith são mortos. Este é levado para a aldeia dos nativos americanos, onde conhece a filha do chefe da tribo Powhatan, Pocahontas, com quem aprende a cultura e costumes da tribo.

Passados alguns meses, reúne comida suficiente para ajudar os colonos a sobreviverem ao Inverno e regressa às colônias de Jamestown. Na primavera seguinte, Powhatan descobre que os colonos tencionam ficar e decide preparar-se para a guerra. Sem o conhecimento do pai, Pocahontas avisa Smith da eminência de um ataque, e quando os nativos são surpreendidos, Powhatan descobre que foi a filha que os traiu, decidindo bani-la da tribo e da família para sempre.

Pocahontas é forçada a viver com uma tribo vizinha, acabando por ser vendida aos ingleses, como apólice de seguro contra ataques da tribo do pai. Ao viver com os colonos, adapta-se lentamente ao seu modo de vida. Durante este período, Smith é chamado de volta a Inglaterra para liderar outras expedições. Voltará a ver Pocahontas, apenas mais uma vez, anos mais tarde, quando esta chega a Inglaterra…

Malick tentou basear a maior parte de sua visão nos relatos históricos, pesquisando os escritos de exploradores e colonos da Virgínia para criar os monólogos de Smith e de outros personagens.
Mas este é, acima de tudo, um filme da imaginação. Como acontecem com todos os trabalhos de Malick, as imagens, os sons fantasmagóricos e o humor bucólico ultrapassam a narrativa.
Malick nos leva a um Éden primordial fácil de engolir. Os nativos estranhamente pintados e os intrusos brancos e armados se enxergam de maneira suspeita. Seus mundos, objetivos e crenças não poderiam ser mais diferentes.

Os nativos têm pouco senso de possessão ou ambição, mas têm uma ordem social forte. Já os colonos, a maioria despreparada para lidar com o selvagem, buscam riqueza, olham uns aos outros com inveja e podem se revoltar a qualquer momento. Um confronto violento é inevitável.

Na primeira vez que vimos John Smith (Colin Farrell), ele está algemado em um dos três navios ingleses que chegam ao Rio James em 1607. Ele está sendo punido por insubordinação, mas é um soldado valioso demais para ser enforcado. Então o capitão Newport (Christopher Plummer) o liberta assim que desembarcam no Novo Mundo. Ele chega até mesmo a dar uma missão vital para Smith antes de voltar para a Inglaterra.

Smith lidera uma expedição rio acima para entrar em contato com um chefe indígena na esperança de estabelecer comércio. Ao invés disso, seus homens são mortos e ele é feito prisioneiro. Sua vida é poupada pelo chefe (August Schellenberg) quando a filha favorita deste, Pocahontas (O'Orianka Kilcher), implora por perdão.
O chefe deixa o aventureiro por conta de sua filha adolescente, para que ambos aprendam a língua um do outro e ele possa ficar por dentro das intenções dos recém-chegados.

É claro que o casal se apaixona. Aqui o filme entra em um estado onírico, quase sem diálogos. Enquanto um forte laço é formado entre os dois estranhos, eles absorvem a riqueza da paisagem e o som do vento e dos pássaros da floresta.

O que poderia se tornar incrivelmente piegas nas mãos de um cineasta menos experiente funciona aqui, graças à absoluta fidelidade de Malick às emoções encobertas.

Embora o nome Pocahontas não seja mencionado -- os colonos preferem chamá-la de Rebecca --, o filme baseia-se no mito idealizado dessa mulher, que encarna aqui tanto a ingenuidade da floresta quanto da mãe-terra.

Farrell não parece muito confortável no papel, raramente mudando de expressão. Malick e o cinegrafista Emmanuel Lubezki tiram de Kilcher mais poses do que um fotógrafo de moda. Kilcher, então com 15 anos, é uma jovem arrebatadora, e a câmera se apaixona por ela.






Em 1992, após acabar seu trabalho supervisionando a animação do Gênio de Aladdin, Eric Goldberg se uniu á Mike Gabriel como co-diretor de Pocahontas. “Mike e eu separamos nossas funções” conta Goldberg. “Eu fiquei principalmente a cargo da animação e do clean-up enquanto ele lidava com layout, cenários e modelos de cor".

O grande sucesso de A Bela e a Fera (1991) teve grande influência na produção de Pocahontas. O filme ganhou as graças não apenas do público infantil, mas também de uma grande parte do público adulto, culminando em uma indicação ao Oscar de Melhor Filme, a primeira do tipo para um filme de animação.

Com o intuito de produzir um filme animado mais adulto que finalmente ganhasse a disputada estatueta, Jeffrey Katzenberg, então responsável pelo departamento de animação, resolveu fazer com que Pocahontas se encaixasse à s suas ambições. O filme foi estruturado como uma história séria e madura, e grande parte dos momentos cômicos foram excluídos.

Nos estágios iniciais de produção, os animais falavam assim como na maioria dos filmes Disney. Quando foi decidido que Pocahontas seria um filme mais sério, os animais perderam suas vozes e foram feitos mudos. Como consequencia dessa mudança na produção, um personagem cômico acabou sendo excluído do filme: com a voz do falecido comediante John Candy, Readfeather era um peru que seria o companheiro de Pocahontas.

Algumas cenas testes de animação chegaram a ser feitas e até mesmo seu design finalizado. O personagem acabou sendo deixado de lado e substituído por Meeko, o guaxinim, animal que permitiria um humor menos exagerado e cujas expressões seriam mais bem captadas em pantomima.

Um dos maiores desafios enfrentados pelos produtores do filme foi a falta de informação sobre a veracidade de diversos eventos que cercam a história de Pocahontas. Até o maior acontecimento do filme, o de Pocahontas salvando a vida de John Smith, causa alguma controvérsia entre os historiadores que debatem se o fato realmente aconteceu ou não.

Segundo o produtor James Pentecost “Se os próprios historiadores não conseguem concordar, nós sentimos que tínhamos certa licença do que é conhecido do folclore para criar a história".

6 comentários:

Anônimo disse...

parabens pelo material... entrei apenas interessado por imagens pra pintura de tanque de moto e me interessei muito no artigo! aprendi pra caramba!

Anônimo disse...

vc so vai conseguir desta terra usurlfuir
se com as cores do vento colorir

Carol disse...

as músicas do filme são muito bonitas e educativas, eu adorooo! :D

Mandy disse...

Amo Pocahontas, sempre adorei o filme da Disney e fiquei fascinada pela história da verdadeira índia. Incrível, adoro!

You think the only people who are people
Are the people who look and think like you
But if you walk the footsteps of a stranger
You'll learn things you'd never knew, you'd never knew

You can own the earth and still
All you own is earth until you can paint with all the colors of the wind

Anônimo disse...

Eu só conhecia o filme de animação Wall Disney, porém achei interessantissimo a real historia da tribo Powhatan isso é cultura!Isso sim é q deveria ser divulgada pelos veículos de comunicação pois o nosso país esta pobre de cultura.

Fernando Henrique disse...

Para quem se interessa pelo tema, pesquisem a história de Malintzin (Malinche). Ela sim foi a verdadeira heroína do choque civilizacional entre Europa e América. Não fosse pela intervenção dela, a carnificina entre Espanhóis e Astecas seria tão feia quanto o foi no Peru, nos EUA ou no Brasil.

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