quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Lenda e Vida da Grã-Duquesa Anastasia Romanov



É quase certo que os corpos dos últimos Romanov foram encontrados: são o tsarevich Alexei, herdeiro do trono russo, e uma de suas irmãs grãs-duquesa, Anastasia, Maria ou Tatiana. O resto da família menos o menino e uma das meninas foram desenterrados em 1991.

O csar Nicolau 2o foi derrubado em março de 1917, após a primeira Revolução Russa. Enquanto ele comandava a frente durante a Primeira Guerra, a fome estourou em seu país e um inverno particularmente pernicioso fez de seu governo insustentável.


A família imperial foi mantida durante quase todo o ano prisioneira em um de seus palácios, até que os Bolcheviques tomaram o poder, em novembro daquele ano.

Ainda durante a guerra civil, Nicolau, Alexandra, seus filhos e alguns empregados foram fuzilados na madrugada do dia 17 de julho de 1918, no porão de uma casa em Tobolsk, na época capital da Sibéria. Embora não seja comprovado, as ordens provavelmente partiram do então líder revolucionário Vladimir Ulianov – Lenin.


Durante a primeira metade do século 20, algumas moças se apresentaram como sendo Anastasia, uma das princesas fuziladas. Como chegou a haver testemunhos de que ela teria sobrevivido, a lenda espalhou-se. Nenhuma jamais foi reconhecida por quem foi próximo dos Romanov, mas, como em 1991 o corpo de uma das meninas não havia sido encontrado, o mito persistiu.

Tão logo exames de DNA confirmem a identidade dos corpos, o mito de Anastasia, a princesa esquecida, poderá ser enterrado de vez.

Ela foi nomeada depois de Princesa Montenegrin, uma amiga próxima de Alexandra. "Aquela que vai ressurgir" é o significado do nome, e muitos acreditam que ela fez jus à ele.

Anastasia - pronunciado em Russo como Ah-nah-stah-ssi-ya - era uma lenda na família Romanov quase desde seu nascimento.

No outono de 1900, o Czar teve uma terrível febre tifóide. Sua esposa Alexandra se viu diante de uma importante questão: sucessão Imperial. Toda a Europa virou-se para a capital russa, onde o imperador estava morrendo e as suas três lindas pequenas filhas (Olga, Tatiana e Marie) se tornaram três pequenos desapontamentos. Sim, elas eram lindas, e inteligentes, e adoráveis, e perfeitamente saudáveis, mas a Imperatriz falhou em seu único e verdadeiro dever - gerar ao Czar um filho homem para sucedê-lo.

Caso o Nicholau não tivesse algum filho homem, seu irmão Mikhail seria o próximo Imperador. Apesar do czar relacionar-se bem com seu irmão, ele preferia que um filho seu o sucedesse.

E então, Alexandra engravidou.

Um doutor francês foi chamado à corte, e a convenceu que o bebê seria um menino. Todos esperavam um menino. No verão de 1901, o Czar Nicholau recuperou-se da febre, e a família esperou pelo nascimento da criança na casa de verão, o palácio Peterhoff. Em 5 de junho de 1901, Anastasia Nicolaevna Romanov nasceu, às 6h da manhã.

Nessa hora, nem a Rússia, nem os países vizinhos tiveram a delicadeza de esconder seus sentimentos. O bebê era universalmente não bem-vindo. "A Imperatriz falhou outra vez!"

A irmã do Czar, Xenia, escreveu sobre a chegada de Anastasia: Alix sente-se bem - mas, meu Deus! Que desapontamento! ...Uma quarta garota! Mamãe mandou-me um telegrama sobre, e escreveu, "Alix deu à luz uma garota novamente!".
Talvez Anastasia seria a mais bonita das irmãs Romanov. Suas feições eram belas e regulares, o formato do rosto era delicado e aristocrático. Ela havia herdado os olhos azul-safira os quais seu pai era famoso, porém nos dela havia um brilho zombeteiro. Seu cabelo era dourado com um toque de âmbar de sua mãe, seu nariz era pequeno e nobre, suas sobrancelhas escuras e bem definidas.

A combinação disto fez a mais nova Grã-Duquesa ser diferente de suas irmãs. Ela era um tipo único, e ela parecia sabê-lo desde o início. Quando ela nasceu, tudo de bom e próprio havia já sido feito por suas irmãs - Olga era a perfeita estudante, Tatiana era belíssima, Marie, "um anjo adorável". Mas Anastasia não iria permanecer por muito tempo nas sombras, e logo ela iria encontrar seu próprio meio de ganhar atenção.

Ela era extremamente inteligente, com tiradas as quais ela se orgulhava, e um senso de humor esperto que fazia qualquer um rir. Rápida e observadora, ela era a causa de todo mau comportamento infantil no palácio. Sua esperteza procurava e quase sempre achava os pontos sensíveis de todos, mas ela era tão vivaz e sua alegria era tão contagiosa que mesmo assim muitos membros da corte a chamavam de "Sunshine" (brilho do sol), o apelido que sua educada e sensível mãe ganhou da Corte Inglesa.

Visto por muitos como a única das irmãs que nunca soube o significado de timidez, mesmo quando pequena ela divertia as pessoas mais velhas e figuras políticas importantes na mesa de jantar de seus pais com suas surpreendentes opiniões. Damas que vinham ver a Imperatriz nunca suspeitavam que escondida em algum lugar, a filha mais nova no Czar estava assistindo cada uma de suas peculiaridades, e que mais tarde viriam à tona quando a família estivesse sozinha.

Seu tutor francês, Pierre Gilliard, lembra Anastasia como "o palhaço da família, livremente falando suas críticas severas, com humor sarcástico. A família inteira morria de rir de suas piadas. Ninguém estava a salvo de sua língua esperta e cruel".

Ninguém tinha certeza do que esperar de Anastasia. As memórias da corte russa estão cheias de anedotas de seus truques, contos da sua imaginação e sua personalidade incrível.

Quando criança, Anastasia era muito pequena e 'fortinha', com perninhas e bracinhos gordinhos, que davam à ela um charme especial. No entanto, ela sofria muito por causa do seu tamanho, e sentia-se mal ao ver qualquer um mais alto que ela devia respeito por ser superior.

Nina, filha do Grão-Duque George e prima de Anastasia, sofreu muito pelas mãozinhas de pequena Ana porque, mesmo sendo mais nova que ela por dois dias, ela era muito mais alta. Seu pai era o único permitido a chamá-la pelo seu apelido que ele mesmo havia inventado - Malenkaya, que tecnicamente significa A Pequena em referência dela ser a mais nova das irmãs, mas para ela, saindo da boca de qualquer um menos seu pai, significava pequena, e, portanto, baixa. Orgulhosa e teimosa, Anastasia era conhecida por defender-se grosseira e violentamente se ela sentir que alguém está tentando deixá-la para baixo, e muitos triunfos ela teve ao longo do seu caminho.

Os professores de Anastasia acharam que ela aprendia mais rápido que suas irmãs, com uma mente que se lembrava de qualquer coisa que ela queria, seja poesia ou outras lições. No entanto, a sala de aula não manteve a excitação necessária para Anastasia continuar interessada nas aulas, e ela facilmente ficava entediada.
Seu sotaque francês era excelente, ela decididamente tinha um talento para pinturas e tocava três instrumentos musicais - o piano, o violão e a balalaika. Gramática era a única coisa que ela definitivamente não podia aprender, mesmo em russo, e quase todos os estudos dela nessa área foram um desastre.

Em sua adolescência, Anastasia não mais era uma garotinha pequena e 'fofinha', e sim, decididamente gorda, engordando de um jeito que alarmou sua mãe. No entanto, todos concordavam que isso era parte da idade, a qual Anastásia iria transformar-se da mesma forma que Marie, um ou dois anos antes. Apesar de ela continuar baixa e jamais ter a elegante graça de suas irmãs mais velhas, Anastásia era charmosa à sua maneira, ainda mais que agora ela era uma jovem dama, mas esperta e usando as palavras de uma jeito engraçado e inteligente como sempre, visitando o hospital da guerra que ela ajudou junto com suas irmãs e entretendo os soldados.

Ela e M. Gilliard continuaram a ser excelentes amigos mesmo depois do amor por estudos dela ter evaporado. Ele a conheceu quando ela uma menina muito pequena, e era muito mais amigável com ela do que com as outras irmãs.

Anastasia tinha dois cachorros para chamar dela. Seu primeiro era chamado Shvybzik, o qual pouco se sabe exceto que Anastasia e ele eram inseparáveis, até ele repentinamente morrer de uma doença cerebral. A morte dele foi um grande choque para ela, e por semanas Anastasia ficou inconsolável.

Mais tarde, para ajudar a pequena princesa se recuperar de sua perda, Anna Vyrubova, uma amiga próxima da Imperatriz, Deu à Anastasia outro cachorro - um spaniel chamado Jemmy, que iria acompanhar a família do Czar na Sibéria, e iria morrer nos braços da Grã-Duquesa Anastasia durante a execução em Ekaterinburg. Seu pequeno corpo esmagado seria o único encontrado pelos investigadores do Exército Branco naquela noite, e iria servir como a terrível prova que toda a família, até mesmo as crianças, foram mortas.

Assim como Olga e Tatiana eram ternamente devotas uma à outra, Marie e Anastasia eram ainda mais amigas. Desde seus dias como uma criança que recém aprender a caminhar, Anastasia dominava a pequena boa Marie, e as pessoas notavam que "a personalidade dominante da garota mais jovem veio à tona e cativou Mashka." Elas dividiam um quarto, que era acima da sala de recepção de sua mãe, de forma que elas podiam ouvir quem a acompanhava e pregar peças depois.

Em muitas formas Anastásia era como sua avó, a Imperatriz Marie Feodorovna. As duas eram, quando crianças, vivazes e encrenqueiras. O Czar, também, apesar de sempre rígido com ela, secretamente admirava a falta de prudência de Anastasia. E quase sempre a salvava de punições duras que ela talvez tenha merecido. Em retorno, ela lhe deu sua obediência - em muitos casos, o Czar Nicholau era o único capaz de fazer a rebelde pequena garota fazer o que é exigido.

Mas o relacionamento mais próximo e especial de Anastasia foi com seu irmãozinho. Ele era o mais próximo dela em idade, e também em características, porque, apesar da doença do menino, Aleksei era extrovertido, amigável, e bagunceiro, como Ana. Os dois geralmente pareciam se comunicar sem falar, usando algum tipo de sexto sentido, e com o tempo Anastasia seria capaz de prever as dores de seu pequeno irmão, sabendo como distraí-lo, e quase sentindo seu sofrimento.

Quando ele estava doente, ela recusava-se a sair do quarto dele, ignorando as ordens do médico de ficar quieta, e pulando por aí com todos os tipos de histórias engraçadas e anedotas que eventualmente faziam o menino doente dar gargalhadas. Juntos, eles aprenderam a tocar a balalaika por imitações de melodias que eles escutavam do tocador de música, inventaram a misteriosa língua de "Tarabar", e, quando a saúde de Aleksei permitia, eles corriam e pulavam nos jardins espaçosos de Peterhoff e Tsarskove Selo.

Uma vez, ela foi dita que colocou uma pedra dentro de uma bola de neve e atirou na sua irmã Tatiana. A pedra acertou Tanya no rosto, e, horrorizada com a cicatriz que ela causou, Anastasia começou a chorar junto com a irmã.

Gregori Rasputin era um camponês siberiano que surgiu na corte do czar como um “homem santo”. Na Rússia daquela época era comum encontrar-se camponeses que faziam peregrinações por lugares sagrados, rezando e jejuando e ajudando as pessoas que passavam por dificuldades, o que não era nada difícil de se encontrar na Rússia czarista.

O povo vivia numa extrema miséria. Os chamados “homens santos”, portanto, eram aqueles mujiques (camponeses) que rezavam e viviam uma vida de peregrinações e rezas. Muitos entravam para a vida religiosa, muitos não, mas mesmo sem serem padres, muitos eram considerados como se o fossem. O povo russo é muito místico e naquela época os andarilhos que vinham dos mosteiros e lugares sagrados eram muito respeitados pelos mais simples.

Rasputin, pois, apareceu como um desses homens. Apresentava-se vestindo botas de cano alto, calças largas e uma túnica tipicamente russa, usada pelos camponeses, com um cinto largo. Viajara pela Grécia até Jerusalém e dizia ter visto a Virgem Maria. Foi apresentado à czarina como um “homem santo”, que fazia até milagres. Alexandra, que vivia um inferno secreto, eternamente atormentada com os perigos que a hemofilia de Alexei trazia, viu em Rasputin um enviado de Deus para salvar seu filho da morte.

De fato, ela achava (não sem razão) que seu filho tão amado estava condenado a morrer das terríveis hemorragias que volta e meia apareciam quando Alexei se machucava. Um simples esbarrão poderia ter as mais terríveis conseqüências. Quando Rasputin apareceu, ela estava cansada de rezar pela vida de seu filho e mais, pela cura dele. Rasputin, então, pareceu ser a resposta às suas rezas, aquele que iria ajudá-la com seu filho.

A doença do czarevich era assunto de estado, ou seja, um assunto ultra-secreto. Ninguém podia falar sobre o assunto, a não ser em família. Os criados que serviam a família imperial estavam proibidos de tocar no assunto com quem quer que fosse e muitos nem sabiam que tipo de doença tinha Alexei.

O professor dos filhos do czar, o suíço Pierre Gilliard, autor do livro “Treze anos na corte russa” (não disponível em português) conta que levou muito tempo para saber qual era a doença do menino. Por isso o público de nada sabia e não podia nem imaginar o porquê da presença daquele estranho mujique no palácio.

Rasputin teve grande influência na vida de Alexandra por causa de seu poder de aliviar as dores que acometiam Alexei quando se machucava. Ninguém até hoje sabe ao certo como ele poderia trazer algum alívio ao garoto. É possível que soubesse as técnicas de hipnose e, através da mesma, conseguisse aliviar-lhe a dor. É possível também que fosse somente coincidência.

A czarina estava sob forte tensão nervosa por causa dos problemas do menino e também porque era de natureza nervosa, herdada de sua mãe, Alice, filha da rainha Vitória da Inglaterra. De qualquer modo, após uma visita de Rasputin, Alexei acometido por uma crise acabava por melhorar e, coincidência ou não, Alexandra atribuía-lhe a recuperação do filho.

Uma vez, estando a família no pavilhão de caça na Polônia, chamado Spala, um castelo escuro no meio da floresta, Alexei caiu e sofreu terrível hemorragia interna que o fez sofrer até os médicos acharem que ele iria morrer. O próprio dr.Botkin achava que tudo estava perdido. Alexandra mandou então um telegrama para Rasputin, que se encontrava na Sibéria. Ele respondeu dizendo que Deus havia ouvido as preces da czarina e que o menino não iria morrer, mas que os médicos deviam afastar-se dele. Alexandra fez como ele lhe dissera. Alexei melhorou. Ninguém sabe explicar como isso se deu. Até hoje há especulação sobre o que teria acontecido em Spala para a repentina melhora do garoto, sem que se encontre uma explicação satisfatória. É claro que Rasputin era uma farsa, mas até que ponto ele podia influenciar no alívio ao sofrimento do menino? Seria hipnose? Auto-sugestão? Impossível saber.

O fato é que Rasputin tinha duas caras. Uma a que se apresentava à czarina como “padre Gregório”, o “homem de Deus” e a outra, a que tomava intermináveis bebedeiras e participava de orgias, que incluíam até mulheres de altos funcionários da corte, bem como prostitutas. A Okrana, a polícia secreta czarista, tinha um relatório completo e detalhado sobre as atividades licenciosas de Rasputin, bem como seu tráfico de influência.

Ele mandava cartões para ministros e outros dignitários a fim de favorecer pessoas que lhe vinham pedir cargos e benefícios. Dizia ter domínio completo sobre o czar e a czarina. Os ministros e o Primeiro-Ministro foram protestar junto ao czar. Apresentaram-se os relatórios da Okrana. O czar prometeu dar uma resposta logo, mas a czarina impediu-o de agir, alegando que eram mentiras, perseguição contra Rasputin. Se ele fosse exilado, que seria de seu filho? Quem iria salvá-lo? O czar, que tinha imensa dificuldade em recusar qualquer coisa à czarina, acabou concordando em deixar Rasputin em paz. Uma vez ele não lhe deu ouvidos e mandou Rasputin de volta para a Sibéria. Então o episódio de Spala aconteceu. Depois de Spala, Nicolau não mais ousou afastar Rasputin.

Nos anos vinte, apareceu uma jovem com ferimentos na cabeça e no braço, que fora encontrada num asilo e que dizia ser Anastasia, a filha de Nicolau II, o último czar. Ela não tinha documentos e era conhecida como sra.Tchaikowski. Mais tarde deram-lhe documentos com o nome de Anna Anderson. No entanto, o nome Tchaikowski está ligado a uma longa e intrigante história. Segundo Anna, ela era a grã-duquesa Anastasia. Em 1918, vivia em Ekaterimburgo, na Sibéria, presa com sua família.

Na noite de 17 de julho, a família Romanov, seus empregados (o cozinheiro Karitonov, o empregado particular do czar, a empregada da czarina e o médico da família, dr.Botkin) foram acordados no meio da noite. Pediram-lhes que se vestissem para tirarem umas fotos.

Era preciso provar ao povo e às autoridades de Moscou que estavam vivos. Isso foi o que lhes disseram. Mas não era verdade. Levaram-nos para o porão da casa Ipatiev, onde estavam hospedados, e lá foram colocados numa sala vazia. Como não houvesse cadeiras, a czarina pediu uma. Foram providenciadas duas. Numa sentou-se a czarina e noutra o czar, tendo ao colo o czarevich Alexis, que não podia caminhar. De repente, a porta abriu-se e surgiu o comandante da casa Ipatiev, Yakov Yurovski, que leu para o czar uma sentença de morte.

O czar pareceu não entender de imediato e balbuciou: "O quê?!" Ao mesmo tempo, vários homens que faziam parte do pelotão, dispararam contra o grupo. O czar e a czarina morreram na hora, mas as grã-duquesas traziam espartilhos cobertos de jóias (guardadas cuidadosamente para sustentar a família no exílio) e as balas não as atingiram mortalmente.

O grupo de homens armados começou a ficar nervoso, uns achando até que poderia haver algo de sobrenatural no fato. Então, como elas ainda vivessem, enquanto os outros já estavam mortos, acabaram de matá-las usando as baionetas. No entanto, ao colocá-las no caminhão que iria levar os corpos para uma mina escondida na floresta, um dos homens, um sujeito chamado Tchaikowski, descobriu que uma das meninas estava viva e teve pena.

Resolveu, então, salvá-la. Surrupiou a jovem do meio daquela pilha de corpos amontoados dentro do caminhão. Se levarmos em conta que havia muito nervosismo e tensão acontecendo numa noite escura, não seria difícil dar sumiço num corpo. Segundo Anna, ela desapareceu naquela noite, salvando-se do massacre. Tchaikowski levou-a para casa de pessoas amigas suas e depois para sua própria casa. No meio do desenrolar da história ele a estuprou e Anna teve um filho, que foi deixado num orfanato, quando ela foi para a Alemanha, a fim de procurar seus parentes exilados pela revolução. Pelas descrições feitas por inúmeras pessoas que tiveram contato com Anna/Anastasia, a jovem deve Ter ficado perturbada mentalmente pelo trauma sofrido, sem contar com os inúmeros ferimentos, (os mais graves na cabeça e no braço) agravados por uma tuberculose que ela veio a adquirir, talvez devido às privações por que passou.

Quando foi descoberta por russos monarquistas exilados na Alemanha, Anna estava muito doente e muita gente se dispôs a ajudá-la. É difícil saber, nesta história, quem agiu por puro idealismo, por desejo de justiça. A maioria ajudou a jovem por interesse.

Alguns membros da família imperial chegaram a reconhecê-la como Anastasia, mas depois desmentiram o fato, o mesmo aconteceu com professores e serviçais. Somente poucos sustentaram até o fim suas opiniões iniciais. Algumas, como o antigo professor dos filhos do czar, Pirre Gilliard, escreveu um livro chamado "A falsa Anasatasia", no que tentava desmascarar completamente Anna Anderson/Anastasia Romanov.
Até hoje não se sabe, e será quase impossível saber com certeza, se Anna Anderson era ou não a filha do czar, mas uma coisa é certa: como ela podia saber de fatos secretos que somente membros da família imperial ou altos funcionários da corte poderiam ter conhecimento? O que Anna Anderson sabia era muito mais do que uma pessoa comum poderia saber sobre a família imperial, inclusive segredos de estado. Isso é, sem dúvida, um mistério.

Por exemplo: a czarina, mãe de Anastasia era alemã. Durante a primeira guerra mundial, o fato não foi esquecido na Rússia. A propaganda revolucionária a chamava de espiã alemã, o que não era absolutamente verdade. A czarina era completamente fiel ao czar e à Rússia. Durante a guerra, o irmão da czarina, O grão-duque Ernst de Darmstadt, foi à Rússia tentar uma paz em separado da Alemanha com a Rússia. Esta foi uma viagem secreta, que só os serviços secretos dos dois países e seus altos dignitários tiveram conhecimento.

Nos anos vinte e trinta, com o fim da guerra e a mudança da política, seria inadmissível que qualquer membro da nobreza, político ou mesmo um alemão comum confessasse que estivera na Rússia durante a guerra. Quem o fizesse seria acusado de traição. No entanto, na maior inocência, ao ser mostrada a Anna uma foto do duque Ernst, ela não só o reconheceu como também afirmou tê-lo visto no palácio imperial numa visita durante a guerra. O duque ficou furioso, negou tal afirmação e também recusou-se a reconhecer Anna como Anastasia, alegando que os filhos de sua irmã estavam mortos e que Anna era uma impostora.

O duque estava salvando seu pescoço e sua reputação, pois não podia admitir publicamente que estivera na Rússia durante a guerra. Aquela aparente sobrinha Anastasia estava lhe saindo um verdadeiro pesadelo. Que seria se alguém acreditasse nela?

No entanto, Anna Anderson passou a vida afirmando ser Anastasia. Há alguns anos, foi feito um exame de DNA com seus cabelos, que estavam num livro de seu marido americano Mr. Manahan, também falecido, e afirmou-se que Anna não era Anastasia. Mas... será mesmo? Nenhum exame é 100% certo e quem garante que os cabelos eram mesmo de Anna? Afinal, nunca se saberá realmente. Pode ser que ela não fosse mesmo a grã-duquesa Anastasia. Mas se não era ela, como se explica tantos conhecimentos que só poderiam ser de pessoas ligadas à família Romanov ou dos próprios Romanovs? Enfim, é um mistério que talvez nunca será desvendado...

Rasputin:


A trajetória de Grigori Yefimovich Novykhn tem início na década de 1860. Mas há muitas incertezas em relação ao seu nascimento. Especula-se que tenha sido em 23 de janeiro de 1864, na pequena aldeia de Pokrovskoe, Sibéria.

Pobre e parcialmente alfabetizado, o jovem Grigori atravessou sua infância e adolescência na região natal. Provavelmente, ajudando ao pai camponês nas tarefas diárias, e divertindo-se com mulheres, vodka e envolvendo-se em brigas com vizinhos. Por este motivo, logo ganhou o apelido de Rasputinik (Rasputin - equivalente à Pervertido).

Por outro lado, sua terra natal era de religiosidade e misticismo muito intensos. Principalmente porque ali próximo estavam depositados, numa igreja, os restos mortais de São Simão.

O jovem Rasputin cresceu influenciado por esta atmosfera. Conta-se que, em sua juventude, já dava alguns sinais de possuir uma percepção especial, ou capacidade de predizer fatos futuros. Certa vez, um político chamado Stolypin passava de carruagem por uma estrada. O jovem Rasputin, que passava ao lado, acenou e gritou ao viajante: "A morte é para você. A morte está se aproximando!". Incrivelmente, no dia seguinte, o político foi ferido por balas e morreu dias depois.

Aos dezoito anos, Grigori Rasputin teve um encontro com o bispo de Barnaull. Em seguida, inesperadamente, passou a interessar-se por religião e decidiu viajar ao mosteiro de Verkhoture. Foi nesta viagem que entrou em contato com uma seita conhecida como Khlysty (Flagelantes), a qual pregava que o ato sexual era uma forma de obter a salvação espiritual. Sua passagem no mosteiro não foi longa, mas o fez entrar em contato com os preceitos e a disciplina religiosa.

Pouco tempo depois retorna à terra natal e casa-se com uma jovem chamada Praskovia Fyodorovna. Este matrimônio rendeu três filhos ao casal: Dimitri, Maria e Varvara, nascidos em 1897, 1898 e 1900, respectivamente (outras fontes especulam quatro filhos do casal). Porém, o casamento foi breve e Rasputin abandonou o lar.

Quando conheceu um místico conhecido por Makaria, decidiu vagar pelo mundo. Em suas andanças, visitava preferencialmente, locais de peregrinação religiosa, como o Monte Athos, Grécia e Jerusalém. Paralelamente, ao longo de suas caminhadas, espalhavam-se as lendas de que aquele jovem possuía poderes especiais e era capaz de curar enfermos e prever o futuro. Mesmo que, em sua passagem pelo mosteiro de Verkhoture, não tenha recebido nenhum tipo de treinamento espiritual e tampouco tenha sido ordenado monge, muitas pessoas, desconhecendo seu passado conturbado, passaram a considerá-lo um sábio religioso.

Os habitantes das regiões por onde Rasputin passava, o procuravam em busca de suas bênçãos; em troca, ofereciam-lhe comida, roupas e dinheiro. Em pouco tempo, ganhou a condição de "homem santo" e sua fama disseminou-se nas aldeias da Europa Central. Rasputin contava que, um dia, arando as terras, recebeu uma revelação divina. Surgiu-lhe um anjo que entoou um canto místico e lhe atribuiu a missão espiritual de ajudar os necessitados.

De volta à terra natal, Rasputin é recebido pelo bispo Theophan e ganha notoriedade entre os religiosos da região; mas sua presença também gera desconforto em alguns. O Monge Iliodor era um de seus opositores. Conta-se que este monge, certa vez, enviou à casa de Rasputin, uma mulher para seduzi-lo e depois esfaqueá-lo. Rasputin foi esfaqueado, mas sobreviveu.

Em 1902, Rasputin desloca-se para a cidade de São Petersburgo e Kazan, onde agregou alguns discípulos e criou um grupo místico denominado Polite Society, baseado nos princípios da Khlysty. Sua imagem de camponês simples e sem ambição foi significativa para que conquistasse confiança e simpatia junto aos moradores da região. A influência que a Polite Society exercia e o poder de persuasão de Rasputin amenizava a fama que seu envolvimento com prostitutas e bebidas lhe atribuía.

Nesse mesmo momento, as autoridades clericais da Rússia procuravam por um líder que transitasse entre a alta classe da sociedade, a nobreza e as classes inferiores, e pudesse reunir todas sob a influência da Igreja. Rasputin trazia todas essas características. Mas sua fama junto aos czares teve início em 1905, quando Anya Vyrubova, amiga próxima da czarina Alexandra Fedorovna, entrou em coma após ferir-se gravemente quando o trem em que viajava descarrilou.

Os médicos já haviam perdido a esperança de curá-la quando Rasputin foi chamado. O místico, ajoelhado ao lado da cama da vítima, segurou sua mão e chamou-a pelo nome. Assim continuou por horas seguidas; até que a vítima, de forma inexplicável, despertou. Rasputin, com as roupas umedecidas de suor, desmaiou exausto.

Totalmente recuperada, Anya narrava à czarina as proezas curativas do místico. Quando a doença de Tsarevich Alexei Romanov se agravava, Rasputin era imediatamente solicitado e ajoelhava-se ao lado do leito da criança, por várias horas se necessário, pronunciando em profusão uma espécie de oração em um idioma desconhecido e a saúde de Alexei era restabelecida.

Desse modo, o "médico Rasputin" restabeleceu em si a confiança da alta cúpula russa e passou a atender também os cidadãos comuns que almejavam uma consulta, realizando "pequenos milagres" e promovendo algumas curas prodigiosas. Ao mesmo tempo em que Rasputin ganhava fama com as mulheres, principalmente da alta sociedade, conquistava também trânsito livre no palácio dos Romanov, como um chefe de estado ou um primeiro-ministro. Por outro lado, a inveja do príncipe Felix Yussupov e de outros líderes russos, crescia na mesma proporção que se desenvolvia a influência de Rasputin entre os Romanov.

Em setembro de 1915, quando as tropas russas estavam em desvantagem na I Guerra, Nicolas abandonou o trono temporariamente para liderar o exército. Rasputin já havia manifestado sua oposição com o fato da Rússia combater o império Austro-húngaro e alemão. A ausência do czar no palácio deu mais liberdade a Rasputin, que passou a influenciar ativamente nas decisões políticas do país.

Conta-se que certa vez, embriagado, Rasputin declarou na presença de muitas pessoas que era ele quem mandava na Rússia e que a czarina estava aos seus pés. Ainda, Alexandra Fedorovna não era de nacionalidade russa, e sim austríaca; sendo a Áustria uma das nações inimigas da Rússia. Isto levou a uma onda de suposições de que a czarina traía os ideais russos e sua aproximação com Rasputin, gerou também, boatos sobre uma suposta relação extra-conjugal da czarina.

Quando Nicolas retornou ao seu país, encontrou a população faminta e flagelada, a dinastia Romanov, seu trono e sua hombridade, sob contestação popular. Rasputin e Alexandra foram considerados pelo povo os maiores responsáveis por esta situação caótica. Aos olhos do povo, o místico era quem havia enfeitiçado e ludibriado os governantes visando apenas conforto social e poder político; a czarina era a traidora austríaca que levara ao declínio a nação que a acolheu.

Um paliativo para esta situação seria eliminar a presença de Rasputin, não apenas do palácio, mas de toda a Rússia. Desse modo, sem que Nicolas soubesse, foi engendrado pelos comandantes russos um meio de assassinar Rasputin. Participaram desta armação, o príncipe Felix Yussupov, um deputado de extrema-direita chamado Purishkevitch, o oficial Sukhotin, o médico Lazovert, e o grão-duque Dmitri, da própria família real.

O plano consistia num convite do príncipe Felix Yussupov ao místico para que o visitasse em sua residência, sobre o canal do Mojka, um dos condutos que levava ao Rio Neva, em São Petersburgo. Nesta ocasião seria servido um jantar a Rasputin. Um dos argumentos era de que a esposa do príncipe, a bela Irene Alexandrovna, necessitava consultar-se com o sábio.

Atendendo ao convite, na noite de 16 de dezembro de 1916, Rasputin foi visitar Yussupov. O místico foi levado ao porão da mansão, onde lhe serviram o jantar, sob a alegação de que Irene logo iria vê-lo. Após uma série de brindes com vinho envenenado, o bruxo não suportou e caiu sobre um sofá e deslizou para o chão do aposento.

Youssoupov, vendo Rasputin caído e supondo que estava morto, chamou os comparsas que aguardavam no andar de cima. Entretanto, mesmo após uma ingestão incrivelmente alta de veneno, o místico levantou-se do chão. Youssoupov disparou duas vezes contra Rasputin; Purishkevitch entrou no aposento e descarregou sua arma de fogo sobre o corpo do bruxo que ainda tentou estrangular o príncipe e fugir em seguida. Mas não suportou e sucumbiu.

O corpo imóvel do bruxo foi amarrado e castrado; em seguida, jogado nas águas frias do Rio Neva, sendo encontrado três dias depois e enterrado. Em fevereiro do ano seguinte, o corpo foi exumado e queimado pela multidão. Dias depois, numa autópsia, o coração de Rasputin foi retirado e guardado na Academia Militar de Medicina. Em 1930, o coração sumiu misteriosamente.

Na ocasião de seu assassinato, o veneno não surtiu o efeito desejado, provavelmente, devido a uma cirrose que "filtrou" a substância e atenuou seu efeito no organismo. Na véspera do Natal de 1916, a czarina prestou-lhe uma homenagem fúnebre. Nos autos legais, o óbito foi citado como morte acidental.

Ainda, conta-se que Rasputin teria previsto sua morte e profetizado uma tragédia. Numa carta enviada ao czar, o bruxo dizia que se Nicolas ou algum de seus familiares tivesse a intenção de assassiná-lo, nem o czar nem ninguém de sua família viveria por mais de dois anos. O fato é que dezenove meses após a morte do místico, o czar e toda sua família foram executados por revolucionários bolchevistas.

O homem chamado Grigori Yefimovich Novykhn, que assumiu, de forma irônica e desafiadora, o apelido pejorativo que lhe foi dado; foi um camponês que, sem cultura, poder político ou financeiro, alcançou um dos mais altos postos do governo russo.

Não é possível afirmar que realmente possuía "dons especiais" ou era apenas um hábil hipnotizador. Desde a data exata de seu nascimento, seu nível de instrução, ascensão e queda política, e até sua morte, são alvos de especulações. Mesmo se fosse um místico, ou um ser espiritualmente elevado, não deixou um tratado ou um livro referencial. Algumas fontes cogitam que Rasputin possuía um comportamento rude e pernicioso; mas era extremamente hábil em suas palavras e argumentos, fato que certamente foi um dos principais trunfos de sua vida.

Ainda, especula-se que chegou a conhecer pessoalmente o mago inglês Aleister Crowley (fundador da doutrina Thelema)hipóteses menos confiáveis afirmam que o bruxo ainda vive e teria sido fotografado. Outro fato curioso é que o pênis de Rasputin, conservado em substâncias químicas, encontra-se exposto atualmente num museu erótico na cidade de São Petersburgo. Numa publicação recente, o livro "Rasputin: a última palavra", do historiador russo Edvard Radzinski, desmente alguns mitos, mas reafirma que houve um caso amoroso com Alexandra.

De qualquer forma, toda sua biografia é repleta de lacunas que dão vazão à divagações de estudiosos e de meros curiosos. Mas, certamente, são essas incertezas que fazem de Rasputin um dos personagens mais intrigantes e misteriosos da história recente da humanidade.


Filmes:


Salvem o Imperador: uma nova produção sobre os Romanov acaba de estrear na Rússia. O filme conta a história de um grupo de soldados que tem como missão resgatar a família da casa Ipatiev, mas que, obviamente, vai ter alguns problemas com o Exercito Vermelho que domina a área.

Romanovs: The Imperial Family: Lançado para comemorar a canonização da família Romanov pela Igreja Ortodoxa Russa em 2000, a acção deste extraordinário filme de produção russa começa a desenrolar-se nos primeiros dias de Março de 1917 quando resta já pouco tempo de domínio de Nicolau II na Rússia. Acompanhando fielmente os meses de exílio da família e revelando pormenorizadamente as personalidades de todos os membros (ao contrário de todos os outros), este é, provavelmente, o melhor retrato da vida privada da última família imperial russa.

Anastásia (1997): Esta inesquecível animação, baseada numa história verídica, traz vida a um conto épico, repleto de intriga e ação, vai cativar toda a família. Um filme espetacular que combina aventura, romance, comédia e uma banda sonora de qualidade que nos conta a história da princesa russa, Anastasia e da sua luta para encontrar a identidade perdida. Quando a sombra da revolução cai sobre a Rússia, Anastasia, a filha mais nova da família real, dificilmente consegue escapar com vida. Junte-se a esta aventura mágica e embarque numa grandiosa e inesquecível viagem ao tentar encontrar a resposta para o grande mistério do século 20.

Em termos de fatos históricos, existem vários erros neste filme, alguns mais básicos, outros mais rebuscados. Por exemplo:

Anastasia nasceu em 1901, ou seja, em 1916, onde se desenrolam as primeiras cenas do filme, ela teria 15 anos, não 8.

A família imperial vivia no Palácio de Alexandre, em Czarskoe Selo, não no Palácio de Inverno em São Petersburgo.

No principio do filme a família é obrigada a fugir do palácio devido à Revolução de Outubro. No filme essa revolução acontece em 1916, mas, na verdade ela data de 1917. Outro pormenor é o fato de o czar ter sido deposto e preso juntamente com a sua família por uma outra revolução que aconteceu nesse ano, em Fevereiro e, em Outubro já todos (incluindo Anastasia) estavam exilados em Tobolsk, na Sibéria.

Embora seja verdade que Rasputin contribuiu para uma descida acentuada da popularidade dos Romanov, não foi ele, depois de vender a alma ao diabo e com a ajuda de um relicário que organizou a Revolução de Outubro. De fato o monge foi morto por membros da própria família imperial em Dezembro de 1916.

A mãe de Anastasia, Alexandra Feodorovna e a sua avó, Maria Feodorovna, odiavam-se mutuamente, ao contrário do que o filme tenta mostrar.

A celebração dos 300 anos da Dinastia Romanov aconteceu durante todo o ano de 1913, não em 1916.

A avó de Anastasia ficou na Rússia até 1919, não saiu do país exatamente no dia da revolução.

Na altura em que Anastasia sai do orfanato e decide procurar pistas sobre o seu passado em "São Petersburgo", a cidade chamava-se "Petrogrado".

Mas claro que, tal como o realizador, Gary Goldman afirmou, o filme de animação de "Anastasia" não passa de "um verdadeiro conto de fadas. Um grande "se" do que poderia ter acontecido de ela tivesse realmente sobrevivido.

Rasputin - Dark Servant Of Destany (1996): Na Rússia do século XX, o Czar Nicolau II e a sua esposa Alexandra têm o seu único filho e herdeiro ao trono a sofrer de Hemofilia. Quando a medicina convencional falha para ajudá-lo, Alexandra procura um tratamento sagrado. O Padre Gregório Rasputine, um camponês necessitado que afirma ter tido uma visão da Virgem Maria que lhe disse para ajudar o Czar, consegue ligações ao Palácio. Apesar de Nicolau e do médico da corte serem sépticos quanto aos alegados poderes curativos de Rasputine, o jovem Alexis rapidamente cria laços com o charlatão/profeta, por isso ele permanece na Corte Imperial. Mas o comportamento inapropriado de Rasputine associado às longas noites de bebida e mulheres enfurecem a aristocracia e pressiona ainda mais a já tensa relação de Nicolau com os seus súbditos. Com a semente da revolução a respirar, torna-se cada vez mais aparente que um mau final espera a Família Imperial. O filme que valeu um Emmy a Alan Rickman e que mostra, talvez, o papel mais másculo do Ian McKellen.



Anastasia (1956): é a adaptação cinematográfica da peça de teatro de Marcelle Maurette. A acção passasse na Paris do inicio dos anos 20. Ingrid Bergman dá vida a uma mulher que se tenta suicidar e é salva pelo exilado general russo Sergei Pavlovich Bounine (Yul Brynner). Em conjunto com um grupo de amigos russos, Bounine espera conseguir fazer passar a jovem desorientada pela Grã-Duquesa Anastásia, filha mais nova do assassinado Czar Nicolau. Se os conspiradores tiverem sucesso, estarão perante a oportunidade única de receber os milhões de libras guardados para Anastásia no Banco de Inglaterra. O maior obstáculo que Bounine e o grupo terão de enfrentar é tentar convencer a avó de Anastásia, Maria Feodorovna (Helen Hays) de que a rapariga louca e pouco preparada para a realeza é a sua neta. Mais uma vez um filme baseado na história de Anna Anderson e que é mais um conto de fadas do que um filme histórico. Mesmo assim é bom entretenimento e valeu um Óscar a Ingrid Bergman, por isso não é o pior filme alguma vez feito sobre os Romanov. Mais tarde seria este filme a inspiração para a versão animada da 20th Century Fox.

Rasputin And The Empress (1932): em 1913, enquanto os Romanov festejam os seus 300 anos de reinado na Rússia, o Grão-Duque Sergei é assassinado nas ruas de São Petersburgo. A sua filha, a única sobrinha do Czar Nicolau II, passa a viver com a família que, apenas 3 meses depois da celebração tem de lidar com uma nova crise de Hemofilia. Natasha, a sobrinha, sugere então que a Imperatriz consulte um "homem santo" que, com a ajuda de Deus, ajudará a curar o seu único filho da doença mortal. No entanto as intenções de Rasputine são tudo menos santas quando ele começa a conspirar contra a família e a seduzir a filha e a sobrinha do Imperador. Este filme foi um dos primeiros a ser produzido sobre os Romanov e estreou menos de 20 anos depois da sua morte, o que fez com que muita da informação hoje conhecida ainda estivesse escondida nos arquivos soviéticos. O filme em si é tipicamente "hollywoodesco" com morte, traição, amor e lutas e não é, definitivamente, algo que se recomende a alguém que procure rigor histórico. O Grão-Duque Sergei foi assassinado em 1905, não em 1913 e, casado com a Grã-Duquesa Isabel Feodorovna, não deixou filhos, logo a personagem de Natasha é pura ficção. Mesmo assim, a verdadeira sobrinha do Czar, Irina Alexandrovna, casada com Felix Yussupov (um dos assassinos de Rasputine) processou a MGM por ter fabricado o seu romance com o monge. O processo foi ganho e a quantia daí recebida foi suficiente para o casal e a única filha viverem uma vida abastada até à sua morte. No filme Rasputine também seduz a terceira filha do Czar, Maria, mas na verdade não existem registos que provem que ele fosse mais do que um amigo para as filhas do Czar, para além de Nicolau II e mesmo Alexandra, nunca permitirem que o monge fosse deixado sozinho com elas.

Anastasia The Mystery of Anna: é uma mini-série de 1986 ganhadora de um Golden Globe e um Emmy, que estrela Amy Irving, Olivia de Havilland e Jan Niklas. É baseado na historia de Anastasia Nikolaevna e no romance The Riddle of Anna Anderson do autor Peter Kurth. Foi o primeiro filme de Christian Bale.






































11 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom!!!

=)

Anônimo disse...

muito bom, muito mesmo, os romanov me fascinam, obrigada pela postagem.

Anônimo disse...

Muito Bom os meus queridos Romanov,que tristeza que a minha querida Dagmar sentiu pela morte do Nicolau e da sua Família .Na minha opinião os Czares devem ser vingados ,a Tatiana e a Olga que ajudaram como enfermeiras nos tempos de guerra ,Maria e Anastásia tão doces que eram,e o Alexis que sofria de Hemofilia.Malditos Comunistas.A morte veio a tempo para Lenine que foi um pobre e mal agradecido por não saber ver os valores da sua Familia,e ter feito com que eles abdicassem do trono ,devido ao irmão dele ter morto o czar avô de Nicolau.Viva a Dinastia Romanov,viva os Czares e viva a grande mãe Russia

Anônimo disse...

Excelente!

Anônimo disse...

Muito interessante! Sempre quis saber a "verdadeira" história do desenho que marcou minha infância!

Anônimo disse...

Assisti o filme e achei muito bom!
E agora li toda a historia e gostei mais ainda
pois o filme so retrata até a morte da familia real...Muito interessante!
É disso q o nosso Brasil esta precisando de cultura,pois os nossos véiculos de comunicação não costumam divulgar coisas tão interessantes assim.

jakeline disse...

Parabéns!!

A. AROUCA disse...

CLARO QUE FICAMOS CHOCADOS QUANDO INOCENTES PAGAM PELOS ERROS DOS PAIS, FOI UMA ATITUDE INJUSTA DOS VERMELHOS COM OS FILHOS DO CZAR NICOLAU ROMANOV, MAS VERDADE TEM QUE SER DITA, ESSE CZAR FOI UM TIRANO CRUEL, RESPONSÁVEL PELA MORTE DE MILHARES DE RUSSOS, PELA FOME AGRAVADA PELA GUERRA E MASSACRES A MANIFESTANTES. ELE FOI O RESPONSÁVEL PELO SENTIMENTO REVANCHISTA ENGASGADO NO POVO MISERÁVEL RUSSO DA ÉPOCA. MAS SÓ ELE DEVERIA SER FUZILADO, DEPOIS DE JULGADO.

Anônimo disse...

Muito bom, acabei de ler o livro "Palácio de Inverno" e estava curiosa pela verdade.

Anônimo disse...

e verdade eu tbm, e a alguns anos que já venho pesquisando e assistindo videos no youtub pq gosto muito de Anastásia e de sua historia...

Anônimo disse...

eu me lembro da primeira vez que eu vi o fime em animaçao de anastacia!!!!!!!!!!!!!!!!!
agora que vi esse poste fiqei totalmente apaixonada pela historia!!!!!!!!!!!

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