quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

À Deriva - Filme de Heitor Dhalia



À Deriva é um filme brasileiro de 2009, dirigido e escrito por Heitor Dhalia.


Foi selecionado para a 62ª edição do Festival de Cannes, concorrendo na mostra paralela "Um certo olhar" (Un certain regard). No Festival de Cinema de Havana de 2009 ganhou o prêmio de melhor fotografia.


À Deriva conta a história de Filipa, uma menina de 14 anos de idade que passa as férias com sua família na cidade de Búzios, no Rio de Janeiro. Enquanto descobre a si mesma, travando contato com as paixões e desafios comuns da adolescência, Filipa tem que lidar com a descoberta do relacionamento que seu pai, Matias mantém com Ângela.

São histórias que tentam resumir, normalmente em um evento marcante da infância ou da adolescência, os caminhos de caráter e comportamento que personagens tomarão para o resto de suas vidas.
Durante as férias da família em Búzios, ao lado do pai escritor (Vincent Cassel) e da mãe com tendência ao alcoolismo (Débora Bloch), Filipa deixará a inocência para ingressar na vida adulta.


Para ficar no exemplo mais próximo, o de Stella, há nos dois filmes traços em comum: o fim da ingenuidade (a filha acompanha como um adultério quebra a harmonia familiar), a ânsia por se impor (brincar de se vestir como adulta, flertar sem compromisso com garotos) e a presença de uma arma de fogo como emblema máximo da violência de crescer.


Dhalia trabalha, no fim das contas, com situações clássicas. O que o seu filme tem de particular é a sensualidade - ou, já que estamos reduzindo um pouco a questão em termos geográficos, o que o seu filme tem de único é a famosa brasilidade. Filipa é menina em corpo de adulta. A câmera do diretor de fotografia Ricardo Della Rosa desde a primeira cena cola em Laura Neiva, e não a perde mais de vista, nem submersa na piscina. A descoberta do sexo é momento essencial na vida de todo mundo, afinal, e À Deriva - nem que seja só por plasticidade - venera corpos ao sol sem se envergonhar.


A opção pela paisagem de Búzios está em sintonia com essa estética: o cinza escuro áspero das pedras em contraste com o liso suado da pele e os troncos retorcidos das árvores se confundindo com as curvas da puberdade.


Terminou com mais de cinco minutos de aplausos a sessão de gala do filme. A sessão era formada em boa parte por convidados da equipe e jornalistas. As atrizes Debora Bloch e a estreante de 16 anos Laura Neiva, protagonista do filme, choraram bastante emocionadas.

 Antes da projeção, subiram ao palco Dhalia, os atores Vincent Cassel, Debora Bloch, Cauã Reymond e Laura Neiva. O francês Cassel foi o primeiro a falar, em português. "Boa noite, eu sou Vicente Cassel, ator 'franco-brasileiro'. Estou aqui para defender esse maravilhoso cinema brasileiro. Algo de importante está acontecendo lá", disse o ator, que também fala português no filme.

Dhalia disse que era uma grande honra estar em Cannes e dedicou a sessão à atriz Laura Neiva. Debora Bloch falou em francês com a platéia: "Espero do fundo do meu coração que vocês fiquem tocados pelo filme como nós ficamos durante as filmagens".

Terceiro filme de Heitor Dhalia (de "O Cheiro do Ralo" e "Nina"), "À Deriva" é uma co-produção internacional entre O2 Filmes, de Fernando Meirelles, e a Focus Features (braço independente da Universal).

"À Deriva" é amparado por uma bela fotografia, que dá um tom de memória e nostalgia ao filme, como se a história fosse contada por uma Filipa já mais velha, muitos anos depois, mas sem apelar ao recurso banal do flashback.

Além do visual bonito, outro grande atrativo do filme é a atuação de Deborah Bloch, atriz pouco aproveitada no cinema, que tem seu melhor papel desde "A Ostra e o Vento" (1997), de Walter Lima Jr. Laura Neiva, que foi descoberta no Orkut, mostra segurança em seu primeiro papel no cinema e sua boa atuação deve render convites para novos trabalhos.

Laura Neiva, 14, nunca pensou em ser atriz. Aluna do nono ano do ensino fundamental, sua vontade era mesmo ser modelo.

Mas, graças ao Orkut, ela descobriu a vocação para as telas. Suas fotos no site de relacionamento chamaram a atenção dos produtores de casting de “A Deriva”, novo filme do diretor Heitor Dhalia (de “Nina” e “O Cheiro do Ralo”), que está sendo rodado em Búzios (RJ).
Para encontrar os novos talentos, ele rodou shoppings, escolas e todo tipo de evento adolescente. “Mas essas pesquisas  rendiam muito pouco, e a gente acabava gastando tempo demais. O Orkut foi a solução mais prática”, diz Acioly.
Assim que recebeu uma mensagem pelo Orkut, Laura desconfiou. “Achei que fosse trote. Mas uma amiga insistiu que era pra valer, e eu acabei passando o meu MSN. Meu primeiro contato com a produção foi pelo MSN”, diz a garota, que vai faltar nas aulas por dois meses por causa das filmagens.
Para não perder o ano letivo, Laura se comprometeu a ter aulas particulares assim que o trabalho terminar.
O cachê que vai receber pelo primeiro trabalho, Laura nem sabe quanto é. “Meus pais que negociaram, eu nem perguntei. Estou fazendo mais pela diversão, mas, se der para comprar um notebook, está ótimo”, diz a estudante, que interpreta a protagonista do filme.

Vaidosa, mas sem exageros. Uma menina em fase de transição e amadurecimento. Uma estudante que não gostava das aulas obrigatórias de teatro na escola, e que pensava ser arquiteta.

Laura, que fez sua estréia como atriz no filme, é apontada como uma das maiores revelações da nova geração do cinema brasileiro, mas ela prefere seguir o conselho da mãe: "Ela me fala o tempo todo para manter os pés no chão".

Entrevista com Laura:

 


- Você foi descoberta pelo Orkut. Como foi isso? Você desconfiou, em algum momento, que poderia sem algum tipo de spam?

- Na primeira vez que vi o convite da Anna Luiza, produtora de casting do filme, nem me passou pela cabeça ser verdade, e por isso nem respondi. No dia seguinte, ela me mandou outro scrap dizendo que era um teste seguro, e que eu não precisava ter medo. Mas eu só respondi: 'não estou interessada, obrigada'. Depois de três meses, ela conseguiu meu endereço no MSN por intermédio de uma amiga. Começamos, então, a conversar melhor. No começo, minha mãe tinha medo porque achava que pudesse ser um golpe, mas Anna ligou para ela e conseguiu convencê-la.

- Depois que você viu que o convite era sério, o que aconteceu? Topou logo de cara ou ficou receosa?

- Já nas conversas com Anna pelo MSN, comecei a ter certeza de que eu iria participar do filme. Era meio que uma intuição. E eu estava com uma super vontade de fazer parte do projeto.

- Antes do convite para fazer parte do elenco de À Deriva, você já tinha pensado em ser atriz? Se não, quais carreiras pensa ou pensava em seguir?

- Não, nunca tinha pensado em ser atriz. Minha única experiência com interpretação havia sido no teatro da escola, que era obrigatório. Mas eu me sentia muito mal no palco, tanto que quando recebi o convite, essa lembrança foi um dos motivos para a minha recusa. Eu sempre pensei em ser arquiteta.

- E como ficou a escola durante as filmagens?

- Fiz um acordo com o colégio para faltar dois meses durante as filmagens e compensar as aulas perdidas assim que voltasse.

- Quem é a Laura depois de À Deriva?

- Quando coloquei os pés em São Paulo, na volta de Búzios, onde foram as gravações, passou um filme na minha cabeça. Comecei a lembrar de tudo o que tinha acontecido comigo em tão pouco tempo: convivi com adultos, acordava e ia dormir junto com todos, tinha muitas obrigações e responsabilidades, eu não podia falhar. Ao mesmo tempo em que tudo era intenso, também era recompensante chegar no final, e ver que tudo deu certo. Além disso, eu estava trabalhando com pessoas muito legais.

- O que foi mais difícil durante as filmagens? Em algum momento, você teve medo de não conseguir?

- Os horários às vezes eram bem complicados. Em alguns dias, tive que acordar às 4 horas da manhã. Em outros, ia dormir às seis horas da tarde! (risos). Era cansativo passar o dia todo debaixo do sol, mas nunca pensei em desistir porque, além de estar muito envolvida com o trabalho, eu também sabia que muitas pessoas dependiam de mim.

- Como foi trabalhar com Débora Bloch e com Vincent Cassel, sendo dirigida por Heitor Dhalia?

- A Débora é quase uma mãe para mim até hoje. Desde o início, ela me olhava e me tratava como filha. Ela é muito concentrada, sempre chegava no set com o texto decorado e ficava em um canto pensado na cena. Apesar de também ser muito disciplinado, o Vincent sempre arranjava algum jeito de fazer piadas nos intervalos das filmagens. O Heitor, como a minha personagem, que é muito decidida, sabe o que quer. Ele foi muito fofo comigo e sempre esteve disposto a me ajudar o tempo todo.

- A Filipa tinha alguma coisa em comum contigo?

- Sim, estávamos passando pela mesma fase da saída da infância e entrando na adolescência, acho que amadurecemos juntas. Filipa é muito diferente das amigas, uma menina de personalidade muito forte, bastante séria. Às vezes, eu a acho um pouco chatinha! (risos) Nem sei se eu seria amiga dela. Em algumas coisas a gente se parece, mas em outras somos muito diferentes.

- Você tem recebido muitos elogios. Como tem lidado com isso? O assédio te incomoda?

- Minha mãe me fala o tempo todo para eu manter os pés no chão. Não tenho problema com assédio, acho que é algo que faz parte da profissão que escolhi. É ótimo receber os elogios, vivenciar todo esse lado da fama, mas também é muito bom ficar em casa sem fazer nada, ver meus amigos, ir à casa da minha tia e conversar durante horas.

- O que mudou na sua vida? Agora que o filme já foi lançado, você voltou a ter a mesma vida de antes?

- Durante as pré-estreias, e um pouco depois do lançamento do filme ainda tinha muitos compromissos, mas agora está tudo está ficando mais calmo.

- Você continua internauta assídua? Além de Orkut, tem perfis no Facebook e Twitter?

- Claro! Acho que isso nunca vai parar (risos). Continuo no Orkut, e há pouco tempo criei perfis no Facebook, no MySpace e No Twitter.

- Você é vaidosa? Gosta de moda? Pode dar alguma dica de moda para as meninas que se identificam com você?

- Não sou vaidosa ao extremo. Em alguns dias, acordo com uma vontade de me arrumar, mas isso acontece de vez em nunca! (risos). A minha dica: é muito bom gostar de si mesma, e sempre se arrumar para você se sentir bem, principalmente. Sem exageros, é claro.

- Pretende continuar na carreira de atriz?

- Sim, é claro! Estou fazendo curso de teatro na Escola Célia Helena para me preparar melhor. À Deriva foi um trabalho bom, muito gostoso, mas eu tenho que me preparar para fazer qualquer tipo de personagem.

O filme é muito intenso. Você se emocionou quando assistiu pela primeira vez?

- As primeiras vezes que eu o vi, foi muito estranho me ver na tela. Depois vi o filme pronto em Cannes, quando À Deriva foi o único longa-metragem brasileiro em competição no Festival, pela seção Um Certo Olhar. Fiquei muito emocionada com a platéia aplaudindo.

E o que os seus pais e amigos acharam do filme?

- Meus pais se emocionaram muito. Meus amigos já foram algumas vezes assistir À Deriva. Minhas amigas fazem questão de gritar um 'uhuu' quando eu apareço na primeira cena.




















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