quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Suspiria (1977) - Dario Argento



O italiano Dario Argento, nascido em Roma em 1940, é um dos mais conhecidos e cultuados cineastas da história do gênero fantástico, juntamente com outros nomes relevantes como seus conterrâneos Mario Bava e Lucio Fulci, os ingleses Terence Fisher e Alfred Hitchcock, e os americanos George Romero e Roger Corman, entre outros mais.

E o maior destaque de sua carreira bem sucedida, sendo considerado por muitos como um dos grandes filmes de toda a história do horror, é "Suspiria" (Suspiria, 1977), com produção de seu irmão Claudio e do pai Salvatore Argento, e escrito pelo próprio diretor em parceria com sua esposa na época, a atriz Daria Nicolodi, inspirados no livro "Suspiria de Profundis", de Thomas De Quincey. Na verdade, "Suspiria" é o primeiro filme de uma trilogia inacabada sobre o esconderijo de três criaturas demoníacas misteriosas conhecidas como "As Três Mães", abordando no caso a "Mãe dos Suspiros" que vive na Alemanha. Em seguida foi filmado "A Mansão do Inferno" (Inferno, 80), numa história ambientada na cidade americana de New York com a "Mãe das Trevas", e por último e ainda inédito, falta a produção de um filme abordando a "Mãe das Lágrimas", que vive em Roma.

A história de "Suspiria" apresenta uma estudante americana de balé, Suzy Bannion (Jessica Harper, de "O Fantasma do Paraíso", 74, e "Minority Report - A Nova Lei", 2003), que vai para a Alemanha aprimorar seus estudos de dança numa conceituada academia. Porém, em sua chegada à Europa já enfrenta uma série de dificuldades como uma forte tempestade no aeroporto que complica sua viagem de táxi até a escola de dança. Lá chegando, ela se depara com outra situação insólita, com uma mulher saindo desesperada da escola, gritando palavras incompreensíveis pelo barulho da chuva. Ao tentar se apresentar na porta da academia, é mal recebida por uma voz feminina no interfone, obrigando-a a retornar no dia seguinte.

Uma vez finalmente ingressada na escola, ela é recepcionada por uma das professoras, a severa Srta. Tanner (Alida Valli), e pela vice diretora, Madame Blanc (Joan Bennett), as quais a apresentam para vários outros estudantes como o jovem Mark (Miguel Bosé), e as moças que viriam a ser suas companheiras de quarto, Olga (Barbara Magnolfi) e Sara (Stefania Casini), além de alguns dos professores como Daniel (Flavio Bucci), um cego que toca piano, e Prof. Verdegast (Renato Scarpa), que também é médico, e um ajudante geral romeno com uma cara de doente mental chamado Pavlo (Giuseppe Transocchi).

Na escola, Suzy fica sabendo que a mulher histérica que ela vira anteriormente na chuva fugindo desesperada, Patty Hingle (Eva Axén), era uma aluna expulsa que descobrira um segredo proibido e que fora brutalmente assassinada logo depois numa cena forte de violência gráfica envolvendo também uma outra amiga, Sonia (Susanna Javicoli), com direito a esfaqueadas, enforcamento e pedaços de vidro perfurando o peito e a cabeça. Além disso, a jovem bailarina americana recém chegada entra em contato com vários eventos bizarros na academia, como lesmas caindo do teto, e a ocorrência de outros assassinatos como o do pianista cego destroçado pelo próprio cachorro que lhe servia de guia, numa outra cena sangrenta no melhor estilo dos filmes de horror italianos.

Ela desconfia de algo muito misterioso acontecendo dentro da escola através do estranho comportamento dos professores, e conhece então o psiquiatra Dr. Frank Mandel (o alemão Udo Kier) e o Prof. Milius (Rudolf Schundler), autor do livro "Paranóia ou Magia?", os quais lhe relatam a existência e prática de bruxaria pelo mundo.

Depois da morte violenta de sua amiga de quarto Sara, em condições igualmente misteriosas, Suzy chega à conclusão que a escola de dança é um covil de bruxas, descobrindo que a academia foi fundada em 1895 por uma grega acusada de feitiçaria chamada Helena Markus, conhecida mais tarde como "Rainha Negra". A qual está por trás das mortes e lidera uma seita oculta de bruxas, e quem a bailarina americana deverá enfrentar num confronto decisivo.


O cinema italiano de horror é bastante conhecido pelas fortes cenas de violência e sangue e os filmes de Dario Argento reforçam essa idéia.

 Em "Suspiria", ocorre uma cena de duplo assassinato no início do filme que é extremamente violenta, onde duas mulheres são brutalmente dilaceradas, uma diretamente pelas mãos de uma criatura diabólica, com pesados golpes de faca culminando num enforcamento impressionante, e outra indiretamente pela ação devastadora dos pedaços cortantes de uma vidraça despedaçada. São poucas as cenas de mortes, mas todas são muito chocantes, como aquela em que um cego tem seu pescoço destroçado por um cachorro que supostamente seria o melhor amigo do homem, e a sequência final envolvendo uma morta-viva desfigurada e uma bruxa bestial.

Tem ainda uma cena grotesca envolvendo um morcego raivoso atacando uma mulher através de efeitos bem precários e artificiais, mas que ainda assim impressionam principalmente por datarem de quase trinta anos atrás.

Outros detalhes relevantes no filme e que ajudaram a torná-lo cultuado e sempre lembrado é a inclusão de uma trilha sonora macabra e bizarra composta de suspiros, gritos e vozes indefinidas, criada pelo grupo de rock progressivo italiano Goblin, ajudando muito no clima de tensão e desconforto durante toda a projeção, e o uso exagerado de cores fortes em tons vermelhos, laranjas, azuis e verdes dependendo dos cenários, num incrível e delirante surrealismo de grande impacto visual.

Considerado a obra-prima do diretor cult italiano de filmes de terror Dario Argento, trata-se de um delirante pesadelo com espetacular cenografia e direção de arte barrocas e bastante violência explícita que tornou-se um clássico do gênero. Ou seja, tudo é meio estranho, estilizado e é preciso certa paciência para entrar no clima.



























video

Nenhum comentário:

Postar um comentário