quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Alice no País das Maravilhas

Alice no País das Maravilhas é um dos mais maravilhosos livros da literatura clássica da língua inglesa. Foi escrito pelo matemático inglês Charles Lutwidge Dodgson, sob o nome de seu pseudônimo artístico, Lewis Carroll. O título original do livro era "Alice's Adventures Under Ground" e é um exemplo do estilo literário conhecido como nonsense, caracterizado por um humor desconexo.

Ao navegar pelo Rio Tâmisa, em 1862, Carroll,  conta uma história de improviso para entreter as três irmãs Alice Pleasance Liddell, de 10 anos, Lorina Charlotte e Edith Mary, filhas de Henry George Liddell, o vice-chanceler da Universidade de Oxford e decano da Igreja de Cristo, bem como diretor da escola de Westminster. Essa história imprevista deu origem, a 26 de Novembro de 1864, ao manuscrito de Alice's Adventures Under Ground com a finalidade de oferecer a Alice Liddell. Mais tarde, influenciado tanto pelos seus amigos como pelo seu mentor George MacDonald, decidiu publicar o livro e mudou a versão original, aumentando de 18 mil palavras para 35 mil, acrescentando notavelmente as cenas do Gato de Cheshire e do Chapeleiro Maluco.

Deste modo, em 4 de Julho de 1865 a história de Carroll foi publicada na forma como é conhecida hoje, com ilustrações de John Tenniel. Porém, a tiragem inicial de dois mil exemplares foi removida das prateleiras devido a reclamações do ilustrador sobre a qualidade da impressão. A segunda tiragem esgotou-se nas vendas rapidamente, tornando-se um grande sucesso, tendo sido lida por Oscar Wilde e pela rainha Vitória. O livro foi traduzido para mais de 125 línguas e só na língua inglesa teve mais de 100 edições.

Em 1998, a primeira impressão do livro (que fora rejeitada) foi leiloada por 1,5 milhão de dólares americanos.

Lewis Carroll, culto e severo, era encantado por meninas, manteve amizade com muitas delas, ele adorava fotografá-las e impressioná-las com cartas malucas, inventando jogos de palavras, trocadilhos e histórias exóticas.  A timidez e a gagueira que marcavam o autor, o que, para muitos biógrafos, resultou em nunca ter se casado. Apesar disso, sempre manifestou afeição por meninas pequenas e não suportava os meninos. Chegou a dizer “gosto de crianças (exceto meninos)”. Na companhia de suas amigas ele se transformava, abandonava a timidez e se mostrava amável e descontraído.

Esse comportamento do autor foi, e em alguns casos continua a ser até hoje, considerado como indícios de pedofilia. Contudo, a pedofilia de Carroll nunca chegou às vias de fato, tendo se mantido sempre no nível platônico, já que não existe nenhum relato ou dado histórico relevante que comprove algo. Nas fotos que fazia de suas pequenas modelos chegou a fotografar meninas nuas e semi-nuas, sempre com a permissão das mães.
Sua adoração por Alice se extravasava pelas cartas que escrevia a ela. Foram muitas. Sua mãe, Sra. Liddell, percebendo que algo poderia estar acontecendo de insólito em relação às suas atitudes para com Alice, tratou de desencorajar-lhe as atenções e queimou as primeiras cartas que enviou a Alice.

São dúvidas permanecem no ar há mais de um século. Mas publicações recentes lançam novas luzes e acendem outras questões sobre a polêmica. A edição comentada de Alice, com introdução e notas de Martin Gardner, um dos maiores especialistas em Carroll e sua obra do mundo, é uma delas. Gardner fez um texto paralelo às histórias da menina Alice, com notas tão elaboradas que são quase ensaios, revelando novidades fascinantes sobre seu autor e suas personagens.

É praticamente impossível imaginar, como insistem alguns biógrafos, que ao se aproximar de suas amiguinhas das quais se despedia nas cartas com ”10 milhões de beijos” e costumava pedir cachos de cabelos de presente para beijar Carroll estivesse apenas movido por um amor puramente espiritual. As explicações são inúmeras, como se pode ver nas anotações de Gardner, que cita várias fontes de interpretação, como a da psicanalista Phyllis Greenacre, para quem talvez Carroll tivesse um Édipo não-resolvido, sendo possível que identificasse as menininhas com a mãe. Assim, Alice seria o símbolo materno de Carroll. Afinal, a diferença de idade entre o autor e sua musa era quase a mesma que o separava de sua mãe, diz a psicanalista, assegurando que essa ”inversão da fixação edipiana é bastante comum”.

Uma das melhores páginas sobre esse conflito não está, no entanto, nesta edição comentada, mas sim na interpretação de Katie Roiphe, autora de “Still she haunts me”, livro que romanceia a relação entre Carroll e Alice. Para Roiphe há uma certa nobreza no autocontrole de um homem que lutou a mais árdua de todas as batalhas do mundo seu próprio desejo. Ela diz: ”É impossível para nós contemplar um homem que se vê apaixonado por garotinhas sem querer colocá-lo na prisão. As sutilezas, para quem vive as paranóias do século 20, são difíceis de serem compreendidas. O amor de Carroll era delicado, torturado e esquivo. Era uma paixão muito estranha e complicada para ser definida em uma única palavra”, escreve. Ao fim de um artigo escrito recentemente para o jornal The Guardian a respeito de Carroll, ela conclui: ”Ele tinha pensamentos, impuros, sim. O que importa, no fim, é o que ele fez deles.”

Apesar das fotografias com forte apelo erótico e das cartas melosas que escreveu para meninas como Alice o veredicto final sobre o que Carroll teria feito de seu desejo ainda é um mistério.

"I give myself very good advice,
But I very seldom follow it,
That explains the trouble that I'm always in,
Be patient, is very good advice,
But the waiting makes me curious,
And I'd love the change,
Should something strange begin,
Well I went along my merry way,
And I never stopped to reason,
I should have know there'd be a price to pay,
Someday...someday,
I give myself very good advice,
But I very seldom follow it,
Will I ever learn to do the things I should?
Will I ever learn to do the things I should?"


"If I had a world of my own, everything would be nonsense. Nothing would be what it is because everything would be what it isn't. And contrary-wise; what it is it wouldn't be, and what it wouldn't be, it would. You see?"

                                                       Charles Lutwidge Dodgson
                                                          Alice Pleasance Liddell

                                                           Irmãs Liddell
                                                                 Alice adulta
                                                         Lewis Carroll Kissing Alice




Livros relacionados com o autor:


* The Mystery of Lewis Carroll


* The Private Journals of Charles Dodgson


* The logic of Lewis Carroll

* Skeffington Hume Dodgson, brother of  Lewis Carroll, vicar of Vowchurch, 1895-1910: a brief biography




* The Oxford Pamphlets of Lewis Carroll



Filmes:

* Alice no País das Maravilhas (Clyde Geronimi - 1951):


* Alice no País das Maravilhas (Tim Burton - 2010):


* Alice in Wonderland (Cecil Hepworth and Percy Stow - 1903):


* Alice in Wonderland (Harry Harris - 1985):


* Alice Through the Looking Glass (John Henderson - 1998):


* Alice in Wonderland (Nick Willing - 1999):



Alice In Wonderland - In A World Of My Own lyrics

Cats and rabbits
Would reside in fancy little houses
And be dressed in shoes and hats and trousers
In a world of my own

All the flowers
Would have very extra special powers
They would sit and talk to me for hours
When I'm lonely in a world of my own

There'd be new birds

Lots of nice and friendly howdy-do birds
Everyone would have a dozen bluebirds
Within that world of my own

I could listen to a babbling brook
And hear a song that I could understand
I keep wishing it could be that way
Because my world would be a Wonderland










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